sexta-feira, 25 de agosto de 2017
E o prefeito Crespo caiu...
A prefeita Jaqueline Coutinho (PTB) chegou por volta das 9h50 desta sexta-feira (25) ao Paço, onde foi recebida com aplausos por servidores. Em seguida, retirou seus pertences da antiga sala no 6° andar e ocupou o gabinete como prefeita.
domingo, 20 de agosto de 2017
Planeje, acredite e realize! O Universo conspira a favor!
Angela Wilges • 10 de julho de 2017
Atualmente por meio da explicações de fenômenos da Mecânica Quântica podemos nos autoconhecer.
A Mecânica Quântica já descreve os fenômenos da consciência. Assuntos como colapso da função onda, emaranhamento quântico, spin, átomos, elétron, próton, neutron, quarks, vácuo quântico, matéria, energia, frequência, tempo-espaço, envolvendo também microtúbulos, sinapses, entre outros mais avançam constantemente em comprovações científicas.
2º passo é acreditar que conseguimos o impossível, basta começar a acreditar no impossível, fazer o possível que o resto acontecerá. Não se preocupe como vai acontecer e sim, somente como será o objetivo final, alcançado. O Universo encaminhará da melhor maneira. Mas não se apegue, queira e esqueça depois da visualização. Mas confie, não desconfiando.
3º passo: começar a cuidar dos pensamentos e sentimentos durante 24 horas, porque é a emoção(sentimento + pensamento) que cria e atrai o que queremos. Somente com sentimentos positivos conseguirás o que queres. A frequência do amor está em torno de 500 Hz, do ódio em 20 Hz. A baixa frequência não realiza, sintonize-se na alta frequência.
4º passo: cuidado com as palavras e tudo o que falamos, porque tudo tem energia e o que falamos dos outros e fazemos para os outros em primeiro lugar é registrado dentro de nós, afinal o nosso corpo é composto por mais de 70% de água e o nosso corpo é formado por átomos.
5º passo: parar de reclamar, julgar e criticar o que e quem está à nossa volta. É uma mudança de hábito que é difícil, mas não é impossível.
Uma análise que precisamos fazer constantemente em nossa vida é de como estamos guiando a direção de nossos objetivos.
Queremos ou gostaríamos ter tantas coisas que não temos e na verdade não sabemos porquê, ou melhor, a maioria da população do mundo não conhece as descobertas da ciência que pouco são divulgadas.A Mecânica Quântica já descreve os fenômenos da consciência. Assuntos como colapso da função onda, emaranhamento quântico, spin, átomos, elétron, próton, neutron, quarks, vácuo quântico, matéria, energia, frequência, tempo-espaço, envolvendo também microtúbulos, sinapses, entre outros mais avançam constantemente em comprovações científicas.
Assim então descrevo aqui de forma simples e básica que tudo começa pelo planejamento, a nossa mente precisa de planejamento.
1º passo é saber o que se quer, sentar e escrever no papel e descrever tudo da melhor maneira que queremos, tudo de forma positiva. Planejamento dos objetivos e trabalhar sempre.2º passo é acreditar que conseguimos o impossível, basta começar a acreditar no impossível, fazer o possível que o resto acontecerá. Não se preocupe como vai acontecer e sim, somente como será o objetivo final, alcançado. O Universo encaminhará da melhor maneira. Mas não se apegue, queira e esqueça depois da visualização. Mas confie, não desconfiando.
3º passo: começar a cuidar dos pensamentos e sentimentos durante 24 horas, porque é a emoção(sentimento + pensamento) que cria e atrai o que queremos. Somente com sentimentos positivos conseguirás o que queres. A frequência do amor está em torno de 500 Hz, do ódio em 20 Hz. A baixa frequência não realiza, sintonize-se na alta frequência.
4º passo: cuidado com as palavras e tudo o que falamos, porque tudo tem energia e o que falamos dos outros e fazemos para os outros em primeiro lugar é registrado dentro de nós, afinal o nosso corpo é composto por mais de 70% de água e o nosso corpo é formado por átomos.
5º passo: parar de reclamar, julgar e criticar o que e quem está à nossa volta. É uma mudança de hábito que é difícil, mas não é impossível.
Colesterol alto é desconhecido da maior parte da população
Tatiana Cavalcanti
do Agora
Hábitos alimentares saudáveis e uma rotina de exercícios físicos são
requisitos essenciais para manter um nível equilibrado do colesterol,
tanto do chamado bom (HDL) quando do ruim (LDL). Entretanto, dizem
especialistas, exames anuais também são fundamentais.
do Agora
A maioria da população brasileira, 67%, desconhece ter colesterol alto, segundo o cardiologista Henrique Tria Bianco, diretor do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que cita pesquisa da instituição.
"A grande maioria não sabe quais são seus níveis de colesterol".
Mas nem sempre a combinação ideal de alimentação saudável e exercícios pode evitar as consequências negativas do colesterol, como doenças cardiovasculares.
O histórico familiar é um dos fatores que deve servir de alerta, segundo Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Moriah. "O problema pode ter fundo genético. Às vezes, mesmo uma pessoa magra, que se exercita, não consegue reduzir o colesterol ruim, que pode entupir artérias. É preciso ir ao médico para avaliar os níveis da gordura no sangue", afirma.
Saga do bruxo Harry Potter encanta idosos em Campinas
Tatiana Cavalcanti
do Agora
O mundo do bruxinho Harry Potter não está mais restrito apenas aos
livros, às telas de cinema ou ao teatro inglês. E tampouco é uma obra
somente para crianças.
do Agora
Um grupo de 65 pessoas acima dos 50 anos participou da primeira de 16 aulas sobre a saga criada pela escritora inglesa J. K. Rowling, na terça-feira passada, sobre o menino que vira órfão e depois descobre ser bruxo.
A oficina "Harry Potter: História, cultura e relações de gênero no mundo mágico de J. K. Rowling" será ministrada até dezembro na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em Campinas (93 km de SP), sob o comando do empolgado professor de história Victor Menezes, 25. "Fora do Brasil já tem estudiosos dessa obra de fenômeno estrondoso. Por aqui, estamos dando um dos primeiros passos nesse sentido", explica ele na aula.
sábado, 19 de agosto de 2017
“É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou” – O Pequeno Príncipe
É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou. Entregar todos
os teus sonhos porque um deles não se realizou, perder a fé em todas as
orações porque em uma não foi atendido, desistir de todos os esforços
porque um deles fracassou. É loucura condenar todas as amizades porque
uma te traiu, descrer de todo amor porque um deles foi infiel.
É loucura jogar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não deu certo.
Espero que na tua caminhada não cometa essas loucuras. Lembrando que sempre há uma outra chance, uma outra amizade, um outro amor, uma nova força. Para todo fim um recomeço.
Trecho do livro “O Pequeno Príncipe”…
Vale ou não vale uma serena e séria reflexão?
É loucura jogar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não deu certo.
Espero que na tua caminhada não cometa essas loucuras. Lembrando que sempre há uma outra chance, uma outra amizade, um outro amor, uma nova força. Para todo fim um recomeço.
Trecho do livro “O Pequeno Príncipe”…
Vale ou não vale uma serena e séria reflexão?
Ao menos 1.250 sorocabanos foram alvos da ditadura
Marcelo Andrade - marcelo.andrade@jcruzeiro.com.br
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
Viver em Sorocaba durante a ditadura militar (1964-1985) era estar sob constante vigilância. Uma reunião de bairro, uma missa, um culto, uma celebração entre amigos e, principalmente, encontros sindicais e políticos poderiam ser alvo de investigação do temido Dops (Departamento de Ordem Política e Social), o órgão de repressão do governo. Em Sorocaba, ao menos 1.250 pessoas foram monitoradas, fichadas, detidas para prestar depoimento ou presas. Eram sindicalistas, políticos, religiosos, empresários, estudantes, professores, líderes comunitários, artistas e operários. Ser membro de uma associação, sindicato, agremiação ou diretório estudantil era um caminho certo para ser visto como suspeito, e ter a vida investigada pelo governo. Além de personalidades conhecidas da cidade, como Aldo Vannucchi, o ex-vereador Osvaldo Noce e a líder operária Salvadora Lopes, muitas pessoas anônimas entraram no radar do Dops, sem sequer suspeitar que eram vigiadas, citadas em documentos e tinham suas vidas vasculhadas pelos agentes da repressão.
Meio século depois daquele que foi considerado um marco no recrudescimento da repressão -- a Constituição de 1967, que institucionalizou o regime militar, ampliando o controle sobre o Legislativo, o Judiciário e a sociedade civil --, o Cruzeiro do Sul realizou uma ampla pesquisa nos documentos, fichas e dossiês do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops-SP), abertos à consulta pública na internet desde 2013. Muito mais do que as informações que contêm, esses documentos são um testemunho histórico de como é viver em um país onde o simples fato de discordar, ou não rezar pela cartilha imposta pelo regime, faz de um cidadão comum um inimigo de Estado. Eles demonstram como agia o Deops e como as pessoas, em sua maioria anônimas e inofensivas, eram vigiadas, fichadas, presas e torturadas em Sorocaba, assim como em todo o Brasil. Entre pesquisas, apurações, entrevistas e produção de textos foram 22 dias.
O Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops-SP) foi criado em 1924, para reprimir e prevenir ações que pudessem ser consideradas delitos contra a ordem e a segurança do Estado. Durante a ditadura militar, cresceu de uma simples delegacia até se tornar um dos braços mais temidos da Polícia Civil do Estado de São Paulo. A extinção do órgão, em 1983, ocorreu na esteira das eleições diretas para governador e o seu arquivo passou para a guarda da Polícia Federal. A falta de permissão para acesso a documentos que tratavam do desaparecimento e morte de vítimas da ditadura militar provocou um amplo debate, envolvendo diferentes setores da sociedade, que resultou na transferência dos arquivos do Deops para o Arquivo Público do Estado em 1991. O arquivo do Deops faz parte do acervo textual público e é formado por aproximadamente 3,5 milhões de documentos, 1.538.000 fichas, 149.917 prontuários e 9.141 dossiês sobre pessoas, partidos políticos, empresas e movimentos sociais de interesse dos órgãos de repressão. Comunistas estavam entre os alvos preferenciais do Deops. Quem fosse fichado no departamento enfrentaria dificuldades para levar uma vida normal e até conseguir emprego, caso o empregador exigisse um atestado expedido pelo órgão, que ficou conhecido como "atestado ideológico".
Conhecido das "óstes policiais"
Um dos documentos, datado de 13 de maio de 1964 investigou e fichou Coaracy José de Souza, que, segundo o Deops, morava na rua Santa Cruz e era ferroviário (trabalhava nas oficinas da Estrada de Ferro Sorocabana). O documento, assinado pelo delegado Francisco Severino Duarte, faz o seguinte relato sobre Coaracy: "à conhecido das óstes policiais a longa data (sic) o sindicado tem se destacado pela agitação social que promoveu não só no seio da classe como também em comícios públicos". Ainda no documento, o órgão afirmava que ele se tratava de um líder ferroviário que teria contribuído de "forma eficiente" para que "eclodisse greves (sic) constantes nos seios dos ferroviários" da EFS. O Deops chegou a investigar toda a vida de Coaracy e documentou, como fato que seria desabonador para o ferroviário, sua participação, no dia 8 de julho de 1960, em um comício pró Jango e Lott (João Goulart, candidato a vice-presidente, e Henrique Teixeira Lott, candidato a presidente), do qual havia participado Luiz Carlos Prestes. "Ele participou ainda de todas as reuniões da classe dos ferroviários, Ouvido em sindicância anterior declarou que não é comunista. Mas há provas de sua militância", relatou o delegado, segundo sua ficha.
Em outro documento, também datado de 1964, o Deops acompanhou os passos de Caetana Martini, anotando até mesmo os horários em que saía e retornava a sua residência. De acordo com pesquisa realizada pelo Cruzeiro do Sul, Caetana nasceu na Itália, descendente de família operária que emigrou para São Paulo. Depois de terminar o curso primário, dedicou-se à profissão de costureira. Sensível às causas populares, com o passar dos anos se tornou presidente da Associação Feminina de Sorocaba. Em sua ficha, o Deops relatou: "Caetana Martini é esposa do chefe comunista nesta cidade, Antônio Martini. É comunista fichada, tendo participado, desde 1962, de vários comícios, sempre na companhia do marido. Além do mais, foi eleita, recentemente, presidente da Associação Feminina de Sorocaba, órgão do Partido Comunista, em cuja sede, sita a rua Padre Luiz, foi apreendido farto material subversivo. Isto porque nessa sede funcionava, clandestinamente, o Partido Comunista. Nos documentos apreendidos, a sindicada figura como elemento de destaque, inclusive fazendo parte de eleições internas para dirigir grupos e etc. Isto basta para qualificá-la."
Operários, políticos, estudantes...
As comemorações alusivas ao dia 1º de maio, Dia do Trabalhador, eram vigiadas e acompanhadas por agentes à paisana. Uma delas, também em 1964, realizada no Largo do Mercado Municipal, foi registrada em um relatório de cinco páginas com detalhes sobre o evento, o nome de todos os participantes que discursaram, suas relações com sindicatos, partidos políticos e até relações familiares. Os discursos, realizados pelo então padre (depois professor e reitor da Uniso) Aldo Vannucchi, o deputado Juvenal de Campos e o vereador Edward Marciano da Silva, conhecido como Edward Fru-Fru, foram transcritos na íntegra pelos agentes ao delegado e encaminhado ao Deops.
Em outros documentos, há uma lista com mais de duzentos nomes de operários da Estrada de Ferro Sorocabana, que, na visão dos agentes da repressão, eram suspeitos de provocar "desordem social". Um dos nomes citados era o de Rene Boschete, pertencente à União dos Ferroviários, e até mesmo uma copeira de uma empresa têxtil, identificada apenas por Maria Aparecida, que, ainda de acordo com o Deops, "sempre era vista em rodas de conversas de mulheres pelas vias de Sorocaba, próximos a comícios". Há ainda nomes de funcionários das empresas têxteis da cidade.
Estudantes também tinham seus passos acompanhados pela polícia. Muitos foram presos. Alguns, torturados e mortos, como o sorocabano Alexandre Vannucchi Leme, em 17 de março de 1973. Ao longo desse período, vários documentos foram produzidos com investigações sobre a relação de estudantes e seus movimentos contrários ao regime. Um dos alvos dos documentos e dossiês estudantis eram os dirigentes, à época, do Centro Acadêmico Rubino de Oliveira, da Faculdade de Direito de Sorocaba.
Em 26 de março 1980, em relatório reservado do Deops de Sorocaba, era informado que o professor e líder da União dos Ferroviários, Antonio R. Figueiredo, e o advogado João Kakimori, estariam manipulando a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba, presidida por Sidney Soares, e que usariam para esta manipulação os metalúrgicos Juscelino Araújo Silva, Antônio Rodrigues e Manoel Soares. Conforme o documento, os advogados seguiam orientação do deputado estadual Almir Pazzianotto (mais tarde, ministro do Trabalho no governo de José Sarney). Uma das propostas defendidas e aprovadas pelo sindicato era a desvinculação total da Federação da categoria, unindo-se aos sindicatos do ABC e da capital paulista.
Imigrantes e trabalhadores rurais
Entre as fichas policiais de moradores de Sorocaba, boa parte se refere a investigações sobre imigrantes. Sobretudo italianos, espanhóis anarquistas e principalmente as organizações de japoneses eram alvos preferenciais de investigação e prisões por parte do órgão, desde a década de 1950 -- ou seja, antes do regime militar, pois eram oriundos de países "inimigos" do Brasil na Segunda Guerra. A partir de 1964, há um número considerável também de fichados. Existe inclusive um mapeamento de trabalhadores rurais que eram espionados.
De acordo com o levantamento do Deops, Sorocaba possuía em 1964 um total de 5.596 estrangeiros, sendo 3.496 espanhóis, 1.227 italianos, 511 portugueses, 209 sírios, 85 libaneses, 120 argentinos, nove norte-americanos, 36 russos e 97 japoneses, além de 114 alemães.
Entre os estrangeiros que estavam em Sorocaba e que foram presos "para averiguações" e fichados, segundo consta nos documentos do Deops, está Atut Ramaddan, que à época tinha 34 anos. Natural da Jordânia, Atut, segundo sua ficha, foi preso em 1977, "ficando à disposição da Ordem Social". Porém, ficou quatro meses detido e só foi colocado em liberdade no dia 9 de junho. Era tido como subversivo, mas não há referências que comprovassem tal fato.
A família de Toufic Farah, saiu do Líbano no navio Provance, com destino ao Brasil -- mais precisamente em Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro --, em 12 de maio de 1952, onde pensavam começar vida nova. Não imaginavam que anos depois teriam suas vidas completamente afetadas pela ditadura militar.
Todos eram suspeitos até que se provasse o contrário
Nove de outubro de 1975. Era para ser mais um dia comum na vida do professor Miguel Trujillo Filho, na época com 22 anos de idade, que pela manhã lecionava História no Colégio Objetivo, região central de Sorocaba. Mas a aparente tranquilidade foi quebrada quando 20 homens ligados ao Deops foram até a escola e o prenderam. Trujillo foi levado para o Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), em São Paulo. A partir dai, foi torturado durante 15 dias consecutivos. "Estava no inferno. Ouvia gemidos e gritos de dor vindo de salas que estavam próximas à que eu estava. Logo aqueles que estavam sendo torturados nessas salas passaram a ouvir os meus gritos", relembra, com os olhos lacrimejantes e um semblante que mescla indignação e emoção.
Miguel Trujillo começou a ser procurado após a prisão de um vereador, em outubro de 1975. O parlamentar foi levado ao Doi-Codi, torturado e teria citado o nome do professor de História. Desde criança, Trujillo se envolveu com a militância. O pai era pedreiro da Estrada de Ferro Sorocabana e ouvia as conversas dos operários ligados aos movimentos de trabalhadores. O golpe militar de 1964 provocou uma onda de prisões de integrantes desses movimentos trabalhistas.
Trujillo fez o seu batismo na militância ao auxiliar a Juventude Comunista a colocar panfletos embaixo das portas, para denunciar o início da ditadura. No dia de sua prisão, 9 de outubro, o professor saiu para lecionar e os agentes policiais foram até sua casa. Descaracterizados, perguntaram por ele à sua mãe. Ela, ingenuamente, respondeu que o filho havia saído para trabalhar na escola, informando o local exato onde ele se encontrava. "Eles foram até a instituição de ensino e questionaram o professor Aldo Vannucchi, que era o diretor à época, sobre o meu paradeiro. O professor Aldo disse que eu não estava. Porém, quando estavam indo embora, decidiram questionar o porteiro e esse funcionário disse que eu estava na escola, o que provocou uma revista em todas as salas de aula. Ai, durante o intervalo, eu acabei sendo preso", conta. A ação foi acompanhada por mais de 1.500 alunos da instituição.
Miguel Trujillo lembra com detalhes de quando chegou no Doi-Codi. Conta que o comandante perguntou aos agentes como tinha sido sua prisão, se teria havido resistência e se muitas pessoas haviam acompanhado o fato. "Eles explicaram e começaram a levar uma broca. O delegado disse: "Seus filhos da..., Como vocês prendem o cara dessa forma? Já falei quem que pegar na quebrada, na esquina..."", conta e completa: "Logo quando cheguei o delegado me disse: "Você é de Sorocaba, é? Lá é uma terra de comunistas!", e depois ainda falou, de forma irônica: "O prefeito lá, Armando Pannunzio, não é comunista, não? (Pannunzio pertencia à Arena, partido do governo)."
Nas salas de torturas no Doi-Codi, o professor passou pela máquina de choque, pau de arara, palmatória e cadeira do dragão. "Olha, eu poderia descrever o que era aquilo ali, mas não há palavras capazes de contar a realidade. Colocavam eletrodos na orelha, boca, no pênis, na vagina, nas mamas e davam choques. As torturas físicas vinham acompanhadas pelas psicológicas. Eles faziam muitas perguntas. Queriam saber se eu conhecia fulano de tal, quem era tal pessoa... A mente tinha que trabalhar a mil para você negar as coisas e ter consciência do que se passava. Quanto mais se falava, mais havia a tortura, pois eles achavam que a gente tinha mais informações. Por isso, era fundamental a gente resistir", comenta.
Após a sequência de tortura, Miguel Trujillo foi levado ao prédio do Deops e lembra que lá ficou incomunicável até desaparecerem os hematomas, as feridas, as marcas de sangue, os roxos debaixo das unhas. "Essa medida adotada por eles era para irmos aos juízes militares bonitinhos, para que não pudessem alegar que fomos torturados. Eles só batiam com cacetete de borracha porque não deixava marcas externas."
Vannucchi era o padre que pregava o credo vermelho em Sorocaba
"Parecendo um contraste é, no entanto, uma realidade a participação de um representante de Cristo no rol daqueles que pregam o credo vermelho. O cônego Aldo Vannucchi, reverendo dos mais cultos, é um agitador social. Presente às reuniões de servidores municipais, procura inflamar o ambiente. Seu palavreado traduz o lirismo vermelho tão conhecido de todos nós." Essa frase é apenas uma das centenas contidas nas mais de 108 fichas e relatórios que o Deops produziu sobre o padre Aldo Vannucchi, que, nesse período, era também o diretor da Faculdade de Filosofia de Sorocaba. 53 anos depois, Vannucchi, ao ler o documento, no último dia 4 de agosto, esboçou um sorriso contido e resumiu: "Tudo era motivo para alguém ser investigado, preso e até mesmo torturado. Eu, como padre, participava muito de reuniões de bairros pregando o Evangelho para a classe operária. Abordávamos os problemas sociais, e isso incomodava."
E incomodava mesmo. Tanto que Vannucchi chegou a ficar 10 dias preso, se autoexilou fora do Brasil e, mesmo quando retornou, em 1975, oito ano antes do fim da ditadura, ele ainda tinha sua vida vigiada pelos policiais do Deops. "Me lembro que numa noite, logo quando voltei do exílio, estava na Pizza na Pedra, um pizzaria tradicional que funcionava na região central da cidade, e um delegado produziu um documento encaminhado ao Deops em que dizia ter visto "o santo padre" numa pizzaria naquela noite", disse.
Vannucchi se lembra da noite em que foi preso. Era 5 de abril de 1964 e, naquela noite, jantava com sua mãe, na residência situada na rua Professor Toledo, região central de Sorocaba. Vestia batina, pois havia acabado de celebrar a missa de domingo na paróquia da Vila Assis. "Naquela noite eu recebi a visita de dois policiais, que diziam que o delegado regional de Sorocaba, Francisco Severino Duarte, queria ter uma conversa comigo. Eu acatei a ordem, mas falei a eles que não iria na viatura policial, que iria no meu próprio carro, um fusca. Peguei a Bíblia, ajeitei a batina e fui até a delegacia, na General Carneiro", lembra.
O delegado, segundo seu relato, foi direto ao ponto. Disse ter recebido um telegrama de São Paulo com a ordem de prendê-lo, assim como o vice-prefeito Agrário Gilson Antunes Teixeira e o vereador Antônio Santa"Anna Marcondes Guimarães. O motivo alegado era que o nome do padre aparecia nas atas do Partido Comunista Brasileiro (PCB) de Sorocaba. "Eu disse ao delegado que apenas pregava os ideais da doutrina social da Igreja, a partir das ideias do papa João 23. Em nada adiantou e acabei sendo detido.".
Sobre esse episódio, há relatório do Deops, datado de 13 de maio de 1964: "Esteve detido nesta cadeia pública quase 24 horas e, na oportunidade, declinou do direito que lhe assistia de "cela especial", preferindo xadrez comum. Esta foi mais uma atitude do sindicado (investigado), provando ser ele, na verdade, elemento subversivo e agitador", relata o documento. "E, não chega a ser ele, como muitos parecem, um inocente útil . Não. A sua cultura e, principalmente como professor e diretor da Faculdade de Filosofia, não nos dá motivos a considera-lo um "inocente". É perigoso, exatamente porque procura separar os católicos."
Vannucchi conta que os três presos passaram a noite praticamente acordados, cada um sobre um colchão em contato direto com o piso. A liberação ocorreu graças à ação do alto escalão da Igreja Católica, que fez o pedido de soltura diretamente ao secretário estadual de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Depois, ficou detido no Seminário Diocesano por mais 9 dias.
Hoje, Vannucchi avalia que "o Brasil continua precisando dessa força do ideal de liberdade a partir de uma cartilha político-social baseada na solidariedade. Solidariedade está ligada a algo sólido, concreto. E essa concretude tem que ser apresentada pelos partidos e políticos, e cobrada e acompanhada pela população".
Políticos estavam entre os investigados
Durante o período da Ditadura Militar políticos também estavam entre os principais alvos de investigações e prisões pelos agentes do Deops, sobretudo aqueles ligados aos partidos de trabalhadores e do Partido Comunista do Brasil, que estavam entre os alvos preferenciais do órgão, pois nas ditaduras de Getúlio e na de 1964 eles eram inimigos do regime. Em Sorocaba não foi diferente. Várias fichas e dossiês foram produzidos durante essa fase. Num documento, enviado em 19 de maio de 1964 pela Regional de Polícia de Sorocaba ao Serviço Secreto do Deops, consta uma investigação detalhada para apurar as atividades de 34 pessoas, a maioria delas políticos. Um ano depois o documento foi remetido à Justiça para que tais pessoas fossem processadas ou presas. Entre elas estavam o deputado Juvenal de Campos, os vereadores Humberto Berlink e Emereciano Prestes de Barros, Paulo Ferraz, Francisco Moraes de Souza, Antonio Pegoraro, Coaracy José de Souza, Nelson Marcarenhas Filho, Walter dos Santos, Caetana Martini (líder feminista), Carminio Caramante, Progresso Gonçalves, Antonio Navarro, José Neddermeyer Belfort de Matos, João Kakimori, Gargio Roserberg, Cristovam Munhoz, José Moreno, Renê Boschetti, Edward Marciano da Silva, Antonio Sant"Anna Guimarães, Agrário Gilson Antunes Teixeira, Lázaro de Campos, Paulo Moretti, Armínio Vasconcelos Leite, Celso Ferraz, Roldão Bonilha, Pedro Moretti Guedes, Francisco Lopes, Serafim de Souza, Miguel Lopes Ruiz, Mário L. Campos Oliveira, Antonio Martini, Pedro Segura, cônego Aldo Vannucchi, Guarino F. dos Santos, Santo Nascimento (jornalista), Oswaldo de Oliverira Rocha e Mario Barbosa de Mattos.
Em 1964, o prefeito è época era Armando Pannunzio, alinhado com o governo, e tinha como vice Agrário Gilson Antunes Teixeira, que passou a ser visto pelo regime como um opositor. Um relatório do Deops, até pouco tempo tido como secreto, produzido pela polícia, classificou Agrário como "um dos elementos comunizantes mais atuantes". "Dizendo-se católico praticante, o sindicado Agrário Gilson Antunes Teixeira, vice-prefeito desta cidade, é um dos elementos comunizantes mais atuantes, tendo até mesmo, participado de um comício pró-reformas de base, realizado por "nacionalistas", no Largo do Mercado, nesta cidade", consta no documento, que vai além: "É o dr. Agrário Gilson Antunes Teixeira, um dos elementos de esquerda que, usando de sua inteligência e de sua dialética, leva, como tem levado, muitos correligionários a aceitarem o mais que pregam os comunistas. Assim, suas atitudes, o seu comportamento e sua presença frequente ao lado dos comunistas é para estes de uma importância capital. E, como médico, e médico realmente caridoso, penetra fácil em todos os lares e a sua palavra cala no espírito de todos os incautos. Não resta dúvidas de que o dr. Agrário Antunes é elemento de prestígio junto às massas operárias", assinou o delegado Severino Duarte. Agrário Antunes chegou a ser preso em sua casa e levado para a delegacia da av. General Carneiro, onde dividiu a cela com o padre Aldo Vannucchi, e com o vereador Antonio Sant" Anna Guimarães (MTR). Sobre Sant"Anna, o Deops também o investigou e emitiu um relatório que, entre outras colocações afirma: "O referido sindicado, homem culto e bom orador, constitui-se em ótimo veículo das ideologias comunistas nesta cidade. Contra ele existem elementos insofismáveis de uma simpatia pelo credo vermelho. Na Câmara Municipal é elemento atuante e agitador."
Família libanesa leva marcas da repressão
Quando Toufic Farah, sua esposa Wadad Merhej Farah e suas duas filhas, Elvira e Huda Farah (esta última com menos de um ano de idade), saíram do Líbano no navio Provance, com destino ao Brasil -- mais precisamente Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro, onde pensavam viver --, em 12 de maio de 1952, não imaginavam que anos depois teriam suas vidas completamente afetadas pela ditadura militar.
Estabeleceram-se por quatro anos no Rio até se mudarem para a cidade de São Paulo e, no ano seguinte, em 1957, para Sorocaba. Nesse período, Toufic trabalhou como caixeiro viajante e percebeu que a cidade era promissora para implementar seu próprio empreendimento. Até meados de 1969, os negócios andavam de vento em popa e a família, que já contava com quatro novos integrantes, prosperava com quatro lojas espalhadas pela cidade, voltada à venda de roupas e artigos para cama e mesa.
Nesse período, a matriz, localizada na rua Benedito Pires, recebia pessoas que vinham da zona rural. Toufic recebia essas pessoas simples que chegavam para as compras e, às vezes, conversava com elas na sala de sua casa, que dividia espaço com a loja. Discutiam, entre outros assuntos, os rumos do País. Wadad ficava encarregada de servir café fresco aos visitantes, como manda a tradição libanesa. "Meu pai era um homem letrado, falava cinco línguas. E as pessoas gostavam de frenquentar a nossa casa para discutir culturas diferentes e a realidade econômica e social do Brasil naquele período. A casa sempre estava cheia de gente", conta Huda Farah Siqueira Cunha, que tinha 17 anos naquele ano. Hoje ela é a atual secretária de Saúde de Ibiúna.
E foi num desses dias, mais precisamente 12 de julho de 1969, que a alegria da casa foi interrompida com a chegada de uma viatura trazendo oito policiais. Armados, invadiram a residência. "Eles entraram e começaram a revirar tudo. Tínhamos livros de história e geografia em árabe e pelo simples fato de terem a capa vermelha eles falavam que éramos comunistas. Eram extremamente agressivos. E, num determinado momento, prenderam meus pais", lembra Huda emocionada. "Minha mãe estava grávida de minha irmã, Patrícia Farah, e foi levada num carro junto comigo. Meu pai foi em outra viatura. Ele foi levado para a unidade do Deops em Sorocaba e eu e minha mãe fomos para outra delegacia. Lá eles pegaram meus dados e mandaram eu ir embora. Minha mãe foi levada para o Deops em São Paulo. Não sabíamos o paradeiro de meu pai. Só depois descobrimos que ele ficou preso na sede do Doi-Codi", recorda.
Huda conta que sua mãe ficou presa por um mês e só foi liberada após ter uma ameaça de aborto. Wadad e os filhos eram monitorados por policiais, que se revezavam em frente à residência e também nas lojas. "Eles cadastravam até mesmo quem vinha para comprar algum produto. Com isso, as vendas despencaram e tivemos que fechar as lojas. Ninguém queria entrar. Na escola, eu era excluída. Todos tinham medo", lembra. Nesse momento da entrevista, Huda não consegue segurar as lágrimas.
Seu pai, Toufic Farah, ficou preso por dois meses, sendo liberado por meio de uma negociação feita pelo Consulado do Líbano. "Ele chegou extremamente debilitado", lembra Huda. "E, sem as lojas, não conseguiu mais colocação no mercado de trabalho. Minha mãe precisou vender salgadinhos para garantir um dinheiro em casa. Meu pai morreu aos 89 anos, em 2002. Foi um período cruel. Acabaram com vidas de pessoas do bem, trabalhadoras, em nome de política ditatorial. Meu pai nunca mais se recuperou, foi morrendo aos poucos. Minha mãe, que mora hoje na Capital, ainda sofre as sequelas de uma tortura psicológica e dos nervos que sofreu diante de tudo que passamos para sobreviver."
Estudantes eram símbolo da resistência
Durante a ditadura militar, o movimento estudantil ocupou um espaço destacado na resistência ao regime. Manifestações coordenadas pela União Nacional dos Estudantes (UNE) denunciaram os problemas da educação e expuseram o lado sombrio do regime. Em consequência, os estudantes tornaram-se alvo do aparato repressivo do Estado. Muitos foram monitorados, fichados, presos, torturados e mortos. E com estudantes sorocabanos não foi diferente. Nos arquivos do Deops há cinco dossiês, com mais de quinhentos documentos e fichas sobre o acompanhamento dos passos dos movimentos estudantis, centros acadêmicos e grêmios na cidade.
Um dos fatos mais emblemáticos desse período envolveu o estudante Alexandre Vannucchi Leme, que em março de 1973 foi preso e torturado. Além dele, que se tornou um dos mártires da luta contra a ditadura, Gerardo Magela da Costa, outra liderança do movimento estudantil que morou em Sorocaba, morreu no mesmo ano. Segundo a versão oficial divulgada pelos órgãos de governo, Gerardo teria se suicidado, atirando-se do Viaduto do Chá, centro de São Paulo. A causa da morte foi atribuída a traumatismo crânio-encefálico. O laudo foi assinado por Otávio D"Andréia, legista da ditadura militar, responsável por inúmeros pareceres falsos de morte de prisioneiros políticos, a exemplo de Luís Eurico Tejera Lisboa, morto sob tortura em São Paulo.
O histórico da repressão militar em Sorocaba e região destaca um episódio icônico do período, a prisão de quase mil estudantes em outubro de 1968 num sítio em Ibiúna, durante o 30º Congresso Nacional da UNE (União Nacional dos Estudantes), dissolvido por ação conjunta de 215 policiais da Força Pública e Dops, então comandados pelo cel. Divo Barsotti, do 7º BP.
Entre os detidos estava o ex-vereador de Sorocaba, à época aluno do curso de Farmácia e Bioquímica da USP, Osvaldo Francisco Noce. O encontro, conta ele, hoje com 75 anos, serviria para reconduzir a chapa encabeçada por Luiz Travassos à presidência da entidade, e, também, para reafirmar a plataforma de lutas do movimento estudantil. Natural de Araçatuba, Noce fazia parte, dentro da União Estadual dos Estudantes (UEE), da comissão responsável pela organização e mobilização no interior
Não houve, ao menos, tempo para que os debates programados para os dias 11, 12 e 13 de outubro (e, sobretudo a eleição dos dirigentes) ocorressem. "Não houve tempo para nada. No sábado pela manhã, por volta das 9h, nós fomos surpreendidos por policiais militares que, sem muita dificuldade, deram por encerrada a reunião e detiveram todos que ali se encontravam, inclusive eu", lembra Noce.
Por não ser liderança, Noce foi menos visado. Mesmo assim, foi transferido para o Carandiru, onde ficou detido por dois meses. Os então líderes da UNE José Dirceu, Luiz Travassos e Vladimir Palmeira, entre outros, ficaram mais tempo presos. A libertação do grupo seria exigida, anos depois, pelos ativistas que sequestraram o embaixador dos Estados Unidos. Osvaldo Noce ainda retornou à USP onde, junto com outros companheiros, avaliou os rumos da mobilização. Aprovado no vestibular, cursou Biologia. Mudou-se, muito depois do episódio, para Sorocaba, onde ajudou a fundar o diretório do Partido dos Trabalhadores (PT), pelo qual se elegeu vereador e cumpriu três mandatos. Posteriormente, filiou-se ao Psol.
Comissão da Verdade trabalhou por um ano
Sorocaba, no mês de fevereiro de 2014, a Câmara de Sorocaba criou a Comissão Municipal da Verdade, encarregada de apurar casos de violação de direitos humanos no município durante o regime militar (1964-1985). O pedido foi feito por um grupo de estudiosos do assunto, militantes e sindicalistas, liderados pelo professor de filosofia Daniel Lopes, de 34 anos, que também trabalhou na Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, dirigida, à época, pelo ministro Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul. A Comissão da Verdade, em Sorocaba, teve como presidente o ex-vereador Izídio de Brito. Anselmo Neto, hoje secretário municipal, secretariou os trabalhos, que duraram aproximadamente um ano.
"Período muito curto. Não havia tempo. Nossa preocupação era anexar os depoimentos colhidos, na cidade, aos documentos estaduais e nacionais. E o prazo acabava naquele ano. Também, o fato de ser um trabalho voluntário, precarizava a investigação", lembra Daniel Lopes, observando que o grupo conseguiu, entretanto, cumprir seu papel. "Em razão do tempo curto, muito ficou sem a devida apuração. Apuramos que houve muitos sorocabanos torturados, entretanto, torturados fora de Sorocaba. Principalmente em São Paulo. A maioria era presa aqui, mas torturada fora daqui. Sobre torturas aqui, não conseguimos nenhuma informação sólida, ainda que reste a suspeita."
De outro lado, conta, a comissão abriu a possibilidade para que muitas histórias desconhecidas ficassem públicas, como a do estudante, desaparecido até os dias de hoje, Marco Antonio Dias Batista. Ele tinha 16 anos. É o desaparecido político mais jovem do Brasil. Era sorocabano. Foi preso em Goiânia, quando parte de sua família mudou-se para lá. Era militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), organização de Carlos Lamarca. Ou a história de Dona Odete, que tinha, junto de seu marido, um comércio na rua Coronel Benedito Pires e estava grávida quando foi presa, quase sofrendo um aborto, em razão das torturas.
Para investigar, além dos próprios depoimentos e informações anônimas, a comissão também contou com os documentos do serviço de inteligência da própria ditadura. Muitos desses documentos, hoje em dia, são públicos. As famílias e os perseguidos também encaminhavam documentos. "Todos da sociedade civil, que participaram da comissão, trabalharam voluntariamente, sem ganhar nada, apenas pela convicção de que era necessário reescrever a história do período em Sorocaba, dando voz aos que ficaram sufocados, seja por prisão, tortura, censura, medo ou outro motivo, para que as próximas gerações tenham acesso à verdade histórica e compreendam a importância da manutenção de um ambiente democrático. Para mim, o mais importante é esclarecer aos sorocabanos que houve efetiva perseguição política em Sorocaba. Que sorocabanos foram perseguidos, presos, torturados e assassinados, desde políticos a pessoas comuns", afirmou Daniel.
Segundo ele, há uma tentativa, na disputa de narrativas históricas, de transformar o golpe de 1964 em um ato "brando". "Isso é um perigo. A ditadura corresponde a uma página triste de nossa história, e não pode ser esquecida", diz, lembrando que a Alemanha mantém museus que retratam o nazismo até os dias de hoje, para que os alemães não se esqueçam dos erros cometidos. Baseiam-se no conceito de "banalidade do mal", da filósofa Hannah Arendt, de que todos os seres humanos são capazes de cometer atrocidades, numa sociedade massificada em que as pessoas não são estimuladas a pensar.
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
Viver em Sorocaba durante a ditadura militar (1964-1985) era estar sob constante vigilância. Uma reunião de bairro, uma missa, um culto, uma celebração entre amigos e, principalmente, encontros sindicais e políticos poderiam ser alvo de investigação do temido Dops (Departamento de Ordem Política e Social), o órgão de repressão do governo. Em Sorocaba, ao menos 1.250 pessoas foram monitoradas, fichadas, detidas para prestar depoimento ou presas. Eram sindicalistas, políticos, religiosos, empresários, estudantes, professores, líderes comunitários, artistas e operários. Ser membro de uma associação, sindicato, agremiação ou diretório estudantil era um caminho certo para ser visto como suspeito, e ter a vida investigada pelo governo. Além de personalidades conhecidas da cidade, como Aldo Vannucchi, o ex-vereador Osvaldo Noce e a líder operária Salvadora Lopes, muitas pessoas anônimas entraram no radar do Dops, sem sequer suspeitar que eram vigiadas, citadas em documentos e tinham suas vidas vasculhadas pelos agentes da repressão.
Meio século depois daquele que foi considerado um marco no recrudescimento da repressão -- a Constituição de 1967, que institucionalizou o regime militar, ampliando o controle sobre o Legislativo, o Judiciário e a sociedade civil --, o Cruzeiro do Sul realizou uma ampla pesquisa nos documentos, fichas e dossiês do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops-SP), abertos à consulta pública na internet desde 2013. Muito mais do que as informações que contêm, esses documentos são um testemunho histórico de como é viver em um país onde o simples fato de discordar, ou não rezar pela cartilha imposta pelo regime, faz de um cidadão comum um inimigo de Estado. Eles demonstram como agia o Deops e como as pessoas, em sua maioria anônimas e inofensivas, eram vigiadas, fichadas, presas e torturadas em Sorocaba, assim como em todo o Brasil. Entre pesquisas, apurações, entrevistas e produção de textos foram 22 dias.
O Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops-SP) foi criado em 1924, para reprimir e prevenir ações que pudessem ser consideradas delitos contra a ordem e a segurança do Estado. Durante a ditadura militar, cresceu de uma simples delegacia até se tornar um dos braços mais temidos da Polícia Civil do Estado de São Paulo. A extinção do órgão, em 1983, ocorreu na esteira das eleições diretas para governador e o seu arquivo passou para a guarda da Polícia Federal. A falta de permissão para acesso a documentos que tratavam do desaparecimento e morte de vítimas da ditadura militar provocou um amplo debate, envolvendo diferentes setores da sociedade, que resultou na transferência dos arquivos do Deops para o Arquivo Público do Estado em 1991. O arquivo do Deops faz parte do acervo textual público e é formado por aproximadamente 3,5 milhões de documentos, 1.538.000 fichas, 149.917 prontuários e 9.141 dossiês sobre pessoas, partidos políticos, empresas e movimentos sociais de interesse dos órgãos de repressão. Comunistas estavam entre os alvos preferenciais do Deops. Quem fosse fichado no departamento enfrentaria dificuldades para levar uma vida normal e até conseguir emprego, caso o empregador exigisse um atestado expedido pelo órgão, que ficou conhecido como "atestado ideológico".
Conhecido das "óstes policiais"
Um dos documentos, datado de 13 de maio de 1964 investigou e fichou Coaracy José de Souza, que, segundo o Deops, morava na rua Santa Cruz e era ferroviário (trabalhava nas oficinas da Estrada de Ferro Sorocabana). O documento, assinado pelo delegado Francisco Severino Duarte, faz o seguinte relato sobre Coaracy: "à conhecido das óstes policiais a longa data (sic) o sindicado tem se destacado pela agitação social que promoveu não só no seio da classe como também em comícios públicos". Ainda no documento, o órgão afirmava que ele se tratava de um líder ferroviário que teria contribuído de "forma eficiente" para que "eclodisse greves (sic) constantes nos seios dos ferroviários" da EFS. O Deops chegou a investigar toda a vida de Coaracy e documentou, como fato que seria desabonador para o ferroviário, sua participação, no dia 8 de julho de 1960, em um comício pró Jango e Lott (João Goulart, candidato a vice-presidente, e Henrique Teixeira Lott, candidato a presidente), do qual havia participado Luiz Carlos Prestes. "Ele participou ainda de todas as reuniões da classe dos ferroviários, Ouvido em sindicância anterior declarou que não é comunista. Mas há provas de sua militância", relatou o delegado, segundo sua ficha.
Em outro documento, também datado de 1964, o Deops acompanhou os passos de Caetana Martini, anotando até mesmo os horários em que saía e retornava a sua residência. De acordo com pesquisa realizada pelo Cruzeiro do Sul, Caetana nasceu na Itália, descendente de família operária que emigrou para São Paulo. Depois de terminar o curso primário, dedicou-se à profissão de costureira. Sensível às causas populares, com o passar dos anos se tornou presidente da Associação Feminina de Sorocaba. Em sua ficha, o Deops relatou: "Caetana Martini é esposa do chefe comunista nesta cidade, Antônio Martini. É comunista fichada, tendo participado, desde 1962, de vários comícios, sempre na companhia do marido. Além do mais, foi eleita, recentemente, presidente da Associação Feminina de Sorocaba, órgão do Partido Comunista, em cuja sede, sita a rua Padre Luiz, foi apreendido farto material subversivo. Isto porque nessa sede funcionava, clandestinamente, o Partido Comunista. Nos documentos apreendidos, a sindicada figura como elemento de destaque, inclusive fazendo parte de eleições internas para dirigir grupos e etc. Isto basta para qualificá-la."
Operários, políticos, estudantes...
As comemorações alusivas ao dia 1º de maio, Dia do Trabalhador, eram vigiadas e acompanhadas por agentes à paisana. Uma delas, também em 1964, realizada no Largo do Mercado Municipal, foi registrada em um relatório de cinco páginas com detalhes sobre o evento, o nome de todos os participantes que discursaram, suas relações com sindicatos, partidos políticos e até relações familiares. Os discursos, realizados pelo então padre (depois professor e reitor da Uniso) Aldo Vannucchi, o deputado Juvenal de Campos e o vereador Edward Marciano da Silva, conhecido como Edward Fru-Fru, foram transcritos na íntegra pelos agentes ao delegado e encaminhado ao Deops.
Em outros documentos, há uma lista com mais de duzentos nomes de operários da Estrada de Ferro Sorocabana, que, na visão dos agentes da repressão, eram suspeitos de provocar "desordem social". Um dos nomes citados era o de Rene Boschete, pertencente à União dos Ferroviários, e até mesmo uma copeira de uma empresa têxtil, identificada apenas por Maria Aparecida, que, ainda de acordo com o Deops, "sempre era vista em rodas de conversas de mulheres pelas vias de Sorocaba, próximos a comícios". Há ainda nomes de funcionários das empresas têxteis da cidade.
Estudantes também tinham seus passos acompanhados pela polícia. Muitos foram presos. Alguns, torturados e mortos, como o sorocabano Alexandre Vannucchi Leme, em 17 de março de 1973. Ao longo desse período, vários documentos foram produzidos com investigações sobre a relação de estudantes e seus movimentos contrários ao regime. Um dos alvos dos documentos e dossiês estudantis eram os dirigentes, à época, do Centro Acadêmico Rubino de Oliveira, da Faculdade de Direito de Sorocaba.
Em 26 de março 1980, em relatório reservado do Deops de Sorocaba, era informado que o professor e líder da União dos Ferroviários, Antonio R. Figueiredo, e o advogado João Kakimori, estariam manipulando a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba, presidida por Sidney Soares, e que usariam para esta manipulação os metalúrgicos Juscelino Araújo Silva, Antônio Rodrigues e Manoel Soares. Conforme o documento, os advogados seguiam orientação do deputado estadual Almir Pazzianotto (mais tarde, ministro do Trabalho no governo de José Sarney). Uma das propostas defendidas e aprovadas pelo sindicato era a desvinculação total da Federação da categoria, unindo-se aos sindicatos do ABC e da capital paulista.
Imigrantes e trabalhadores rurais
Entre as fichas policiais de moradores de Sorocaba, boa parte se refere a investigações sobre imigrantes. Sobretudo italianos, espanhóis anarquistas e principalmente as organizações de japoneses eram alvos preferenciais de investigação e prisões por parte do órgão, desde a década de 1950 -- ou seja, antes do regime militar, pois eram oriundos de países "inimigos" do Brasil na Segunda Guerra. A partir de 1964, há um número considerável também de fichados. Existe inclusive um mapeamento de trabalhadores rurais que eram espionados.
De acordo com o levantamento do Deops, Sorocaba possuía em 1964 um total de 5.596 estrangeiros, sendo 3.496 espanhóis, 1.227 italianos, 511 portugueses, 209 sírios, 85 libaneses, 120 argentinos, nove norte-americanos, 36 russos e 97 japoneses, além de 114 alemães.
Entre os estrangeiros que estavam em Sorocaba e que foram presos "para averiguações" e fichados, segundo consta nos documentos do Deops, está Atut Ramaddan, que à época tinha 34 anos. Natural da Jordânia, Atut, segundo sua ficha, foi preso em 1977, "ficando à disposição da Ordem Social". Porém, ficou quatro meses detido e só foi colocado em liberdade no dia 9 de junho. Era tido como subversivo, mas não há referências que comprovassem tal fato.
A família de Toufic Farah, saiu do Líbano no navio Provance, com destino ao Brasil -- mais precisamente em Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro --, em 12 de maio de 1952, onde pensavam começar vida nova. Não imaginavam que anos depois teriam suas vidas completamente afetadas pela ditadura militar.
Todos eram suspeitos até que se provasse o contrário
Nove de outubro de 1975. Era para ser mais um dia comum na vida do professor Miguel Trujillo Filho, na época com 22 anos de idade, que pela manhã lecionava História no Colégio Objetivo, região central de Sorocaba. Mas a aparente tranquilidade foi quebrada quando 20 homens ligados ao Deops foram até a escola e o prenderam. Trujillo foi levado para o Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), em São Paulo. A partir dai, foi torturado durante 15 dias consecutivos. "Estava no inferno. Ouvia gemidos e gritos de dor vindo de salas que estavam próximas à que eu estava. Logo aqueles que estavam sendo torturados nessas salas passaram a ouvir os meus gritos", relembra, com os olhos lacrimejantes e um semblante que mescla indignação e emoção.
Miguel Trujillo começou a ser procurado após a prisão de um vereador, em outubro de 1975. O parlamentar foi levado ao Doi-Codi, torturado e teria citado o nome do professor de História. Desde criança, Trujillo se envolveu com a militância. O pai era pedreiro da Estrada de Ferro Sorocabana e ouvia as conversas dos operários ligados aos movimentos de trabalhadores. O golpe militar de 1964 provocou uma onda de prisões de integrantes desses movimentos trabalhistas.
Trujillo fez o seu batismo na militância ao auxiliar a Juventude Comunista a colocar panfletos embaixo das portas, para denunciar o início da ditadura. No dia de sua prisão, 9 de outubro, o professor saiu para lecionar e os agentes policiais foram até sua casa. Descaracterizados, perguntaram por ele à sua mãe. Ela, ingenuamente, respondeu que o filho havia saído para trabalhar na escola, informando o local exato onde ele se encontrava. "Eles foram até a instituição de ensino e questionaram o professor Aldo Vannucchi, que era o diretor à época, sobre o meu paradeiro. O professor Aldo disse que eu não estava. Porém, quando estavam indo embora, decidiram questionar o porteiro e esse funcionário disse que eu estava na escola, o que provocou uma revista em todas as salas de aula. Ai, durante o intervalo, eu acabei sendo preso", conta. A ação foi acompanhada por mais de 1.500 alunos da instituição.
Miguel Trujillo lembra com detalhes de quando chegou no Doi-Codi. Conta que o comandante perguntou aos agentes como tinha sido sua prisão, se teria havido resistência e se muitas pessoas haviam acompanhado o fato. "Eles explicaram e começaram a levar uma broca. O delegado disse: "Seus filhos da..., Como vocês prendem o cara dessa forma? Já falei quem que pegar na quebrada, na esquina..."", conta e completa: "Logo quando cheguei o delegado me disse: "Você é de Sorocaba, é? Lá é uma terra de comunistas!", e depois ainda falou, de forma irônica: "O prefeito lá, Armando Pannunzio, não é comunista, não? (Pannunzio pertencia à Arena, partido do governo)."
Nas salas de torturas no Doi-Codi, o professor passou pela máquina de choque, pau de arara, palmatória e cadeira do dragão. "Olha, eu poderia descrever o que era aquilo ali, mas não há palavras capazes de contar a realidade. Colocavam eletrodos na orelha, boca, no pênis, na vagina, nas mamas e davam choques. As torturas físicas vinham acompanhadas pelas psicológicas. Eles faziam muitas perguntas. Queriam saber se eu conhecia fulano de tal, quem era tal pessoa... A mente tinha que trabalhar a mil para você negar as coisas e ter consciência do que se passava. Quanto mais se falava, mais havia a tortura, pois eles achavam que a gente tinha mais informações. Por isso, era fundamental a gente resistir", comenta.
Após a sequência de tortura, Miguel Trujillo foi levado ao prédio do Deops e lembra que lá ficou incomunicável até desaparecerem os hematomas, as feridas, as marcas de sangue, os roxos debaixo das unhas. "Essa medida adotada por eles era para irmos aos juízes militares bonitinhos, para que não pudessem alegar que fomos torturados. Eles só batiam com cacetete de borracha porque não deixava marcas externas."
Vannucchi era o padre que pregava o credo vermelho em Sorocaba
"Parecendo um contraste é, no entanto, uma realidade a participação de um representante de Cristo no rol daqueles que pregam o credo vermelho. O cônego Aldo Vannucchi, reverendo dos mais cultos, é um agitador social. Presente às reuniões de servidores municipais, procura inflamar o ambiente. Seu palavreado traduz o lirismo vermelho tão conhecido de todos nós." Essa frase é apenas uma das centenas contidas nas mais de 108 fichas e relatórios que o Deops produziu sobre o padre Aldo Vannucchi, que, nesse período, era também o diretor da Faculdade de Filosofia de Sorocaba. 53 anos depois, Vannucchi, ao ler o documento, no último dia 4 de agosto, esboçou um sorriso contido e resumiu: "Tudo era motivo para alguém ser investigado, preso e até mesmo torturado. Eu, como padre, participava muito de reuniões de bairros pregando o Evangelho para a classe operária. Abordávamos os problemas sociais, e isso incomodava."
E incomodava mesmo. Tanto que Vannucchi chegou a ficar 10 dias preso, se autoexilou fora do Brasil e, mesmo quando retornou, em 1975, oito ano antes do fim da ditadura, ele ainda tinha sua vida vigiada pelos policiais do Deops. "Me lembro que numa noite, logo quando voltei do exílio, estava na Pizza na Pedra, um pizzaria tradicional que funcionava na região central da cidade, e um delegado produziu um documento encaminhado ao Deops em que dizia ter visto "o santo padre" numa pizzaria naquela noite", disse.
Vannucchi se lembra da noite em que foi preso. Era 5 de abril de 1964 e, naquela noite, jantava com sua mãe, na residência situada na rua Professor Toledo, região central de Sorocaba. Vestia batina, pois havia acabado de celebrar a missa de domingo na paróquia da Vila Assis. "Naquela noite eu recebi a visita de dois policiais, que diziam que o delegado regional de Sorocaba, Francisco Severino Duarte, queria ter uma conversa comigo. Eu acatei a ordem, mas falei a eles que não iria na viatura policial, que iria no meu próprio carro, um fusca. Peguei a Bíblia, ajeitei a batina e fui até a delegacia, na General Carneiro", lembra.
O delegado, segundo seu relato, foi direto ao ponto. Disse ter recebido um telegrama de São Paulo com a ordem de prendê-lo, assim como o vice-prefeito Agrário Gilson Antunes Teixeira e o vereador Antônio Santa"Anna Marcondes Guimarães. O motivo alegado era que o nome do padre aparecia nas atas do Partido Comunista Brasileiro (PCB) de Sorocaba. "Eu disse ao delegado que apenas pregava os ideais da doutrina social da Igreja, a partir das ideias do papa João 23. Em nada adiantou e acabei sendo detido.".
Sobre esse episódio, há relatório do Deops, datado de 13 de maio de 1964: "Esteve detido nesta cadeia pública quase 24 horas e, na oportunidade, declinou do direito que lhe assistia de "cela especial", preferindo xadrez comum. Esta foi mais uma atitude do sindicado (investigado), provando ser ele, na verdade, elemento subversivo e agitador", relata o documento. "E, não chega a ser ele, como muitos parecem, um inocente útil . Não. A sua cultura e, principalmente como professor e diretor da Faculdade de Filosofia, não nos dá motivos a considera-lo um "inocente". É perigoso, exatamente porque procura separar os católicos."
Vannucchi conta que os três presos passaram a noite praticamente acordados, cada um sobre um colchão em contato direto com o piso. A liberação ocorreu graças à ação do alto escalão da Igreja Católica, que fez o pedido de soltura diretamente ao secretário estadual de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Depois, ficou detido no Seminário Diocesano por mais 9 dias.
Hoje, Vannucchi avalia que "o Brasil continua precisando dessa força do ideal de liberdade a partir de uma cartilha político-social baseada na solidariedade. Solidariedade está ligada a algo sólido, concreto. E essa concretude tem que ser apresentada pelos partidos e políticos, e cobrada e acompanhada pela população".
Políticos estavam entre os investigados
Durante o período da Ditadura Militar políticos também estavam entre os principais alvos de investigações e prisões pelos agentes do Deops, sobretudo aqueles ligados aos partidos de trabalhadores e do Partido Comunista do Brasil, que estavam entre os alvos preferenciais do órgão, pois nas ditaduras de Getúlio e na de 1964 eles eram inimigos do regime. Em Sorocaba não foi diferente. Várias fichas e dossiês foram produzidos durante essa fase. Num documento, enviado em 19 de maio de 1964 pela Regional de Polícia de Sorocaba ao Serviço Secreto do Deops, consta uma investigação detalhada para apurar as atividades de 34 pessoas, a maioria delas políticos. Um ano depois o documento foi remetido à Justiça para que tais pessoas fossem processadas ou presas. Entre elas estavam o deputado Juvenal de Campos, os vereadores Humberto Berlink e Emereciano Prestes de Barros, Paulo Ferraz, Francisco Moraes de Souza, Antonio Pegoraro, Coaracy José de Souza, Nelson Marcarenhas Filho, Walter dos Santos, Caetana Martini (líder feminista), Carminio Caramante, Progresso Gonçalves, Antonio Navarro, José Neddermeyer Belfort de Matos, João Kakimori, Gargio Roserberg, Cristovam Munhoz, José Moreno, Renê Boschetti, Edward Marciano da Silva, Antonio Sant"Anna Guimarães, Agrário Gilson Antunes Teixeira, Lázaro de Campos, Paulo Moretti, Armínio Vasconcelos Leite, Celso Ferraz, Roldão Bonilha, Pedro Moretti Guedes, Francisco Lopes, Serafim de Souza, Miguel Lopes Ruiz, Mário L. Campos Oliveira, Antonio Martini, Pedro Segura, cônego Aldo Vannucchi, Guarino F. dos Santos, Santo Nascimento (jornalista), Oswaldo de Oliverira Rocha e Mario Barbosa de Mattos.
Em 1964, o prefeito è época era Armando Pannunzio, alinhado com o governo, e tinha como vice Agrário Gilson Antunes Teixeira, que passou a ser visto pelo regime como um opositor. Um relatório do Deops, até pouco tempo tido como secreto, produzido pela polícia, classificou Agrário como "um dos elementos comunizantes mais atuantes". "Dizendo-se católico praticante, o sindicado Agrário Gilson Antunes Teixeira, vice-prefeito desta cidade, é um dos elementos comunizantes mais atuantes, tendo até mesmo, participado de um comício pró-reformas de base, realizado por "nacionalistas", no Largo do Mercado, nesta cidade", consta no documento, que vai além: "É o dr. Agrário Gilson Antunes Teixeira, um dos elementos de esquerda que, usando de sua inteligência e de sua dialética, leva, como tem levado, muitos correligionários a aceitarem o mais que pregam os comunistas. Assim, suas atitudes, o seu comportamento e sua presença frequente ao lado dos comunistas é para estes de uma importância capital. E, como médico, e médico realmente caridoso, penetra fácil em todos os lares e a sua palavra cala no espírito de todos os incautos. Não resta dúvidas de que o dr. Agrário Antunes é elemento de prestígio junto às massas operárias", assinou o delegado Severino Duarte. Agrário Antunes chegou a ser preso em sua casa e levado para a delegacia da av. General Carneiro, onde dividiu a cela com o padre Aldo Vannucchi, e com o vereador Antonio Sant" Anna Guimarães (MTR). Sobre Sant"Anna, o Deops também o investigou e emitiu um relatório que, entre outras colocações afirma: "O referido sindicado, homem culto e bom orador, constitui-se em ótimo veículo das ideologias comunistas nesta cidade. Contra ele existem elementos insofismáveis de uma simpatia pelo credo vermelho. Na Câmara Municipal é elemento atuante e agitador."
Família libanesa leva marcas da repressão
Quando Toufic Farah, sua esposa Wadad Merhej Farah e suas duas filhas, Elvira e Huda Farah (esta última com menos de um ano de idade), saíram do Líbano no navio Provance, com destino ao Brasil -- mais precisamente Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro, onde pensavam viver --, em 12 de maio de 1952, não imaginavam que anos depois teriam suas vidas completamente afetadas pela ditadura militar.
Estabeleceram-se por quatro anos no Rio até se mudarem para a cidade de São Paulo e, no ano seguinte, em 1957, para Sorocaba. Nesse período, Toufic trabalhou como caixeiro viajante e percebeu que a cidade era promissora para implementar seu próprio empreendimento. Até meados de 1969, os negócios andavam de vento em popa e a família, que já contava com quatro novos integrantes, prosperava com quatro lojas espalhadas pela cidade, voltada à venda de roupas e artigos para cama e mesa.
Nesse período, a matriz, localizada na rua Benedito Pires, recebia pessoas que vinham da zona rural. Toufic recebia essas pessoas simples que chegavam para as compras e, às vezes, conversava com elas na sala de sua casa, que dividia espaço com a loja. Discutiam, entre outros assuntos, os rumos do País. Wadad ficava encarregada de servir café fresco aos visitantes, como manda a tradição libanesa. "Meu pai era um homem letrado, falava cinco línguas. E as pessoas gostavam de frenquentar a nossa casa para discutir culturas diferentes e a realidade econômica e social do Brasil naquele período. A casa sempre estava cheia de gente", conta Huda Farah Siqueira Cunha, que tinha 17 anos naquele ano. Hoje ela é a atual secretária de Saúde de Ibiúna.
E foi num desses dias, mais precisamente 12 de julho de 1969, que a alegria da casa foi interrompida com a chegada de uma viatura trazendo oito policiais. Armados, invadiram a residência. "Eles entraram e começaram a revirar tudo. Tínhamos livros de história e geografia em árabe e pelo simples fato de terem a capa vermelha eles falavam que éramos comunistas. Eram extremamente agressivos. E, num determinado momento, prenderam meus pais", lembra Huda emocionada. "Minha mãe estava grávida de minha irmã, Patrícia Farah, e foi levada num carro junto comigo. Meu pai foi em outra viatura. Ele foi levado para a unidade do Deops em Sorocaba e eu e minha mãe fomos para outra delegacia. Lá eles pegaram meus dados e mandaram eu ir embora. Minha mãe foi levada para o Deops em São Paulo. Não sabíamos o paradeiro de meu pai. Só depois descobrimos que ele ficou preso na sede do Doi-Codi", recorda.
Huda conta que sua mãe ficou presa por um mês e só foi liberada após ter uma ameaça de aborto. Wadad e os filhos eram monitorados por policiais, que se revezavam em frente à residência e também nas lojas. "Eles cadastravam até mesmo quem vinha para comprar algum produto. Com isso, as vendas despencaram e tivemos que fechar as lojas. Ninguém queria entrar. Na escola, eu era excluída. Todos tinham medo", lembra. Nesse momento da entrevista, Huda não consegue segurar as lágrimas.
Seu pai, Toufic Farah, ficou preso por dois meses, sendo liberado por meio de uma negociação feita pelo Consulado do Líbano. "Ele chegou extremamente debilitado", lembra Huda. "E, sem as lojas, não conseguiu mais colocação no mercado de trabalho. Minha mãe precisou vender salgadinhos para garantir um dinheiro em casa. Meu pai morreu aos 89 anos, em 2002. Foi um período cruel. Acabaram com vidas de pessoas do bem, trabalhadoras, em nome de política ditatorial. Meu pai nunca mais se recuperou, foi morrendo aos poucos. Minha mãe, que mora hoje na Capital, ainda sofre as sequelas de uma tortura psicológica e dos nervos que sofreu diante de tudo que passamos para sobreviver."
Estudantes eram símbolo da resistência
Durante a ditadura militar, o movimento estudantil ocupou um espaço destacado na resistência ao regime. Manifestações coordenadas pela União Nacional dos Estudantes (UNE) denunciaram os problemas da educação e expuseram o lado sombrio do regime. Em consequência, os estudantes tornaram-se alvo do aparato repressivo do Estado. Muitos foram monitorados, fichados, presos, torturados e mortos. E com estudantes sorocabanos não foi diferente. Nos arquivos do Deops há cinco dossiês, com mais de quinhentos documentos e fichas sobre o acompanhamento dos passos dos movimentos estudantis, centros acadêmicos e grêmios na cidade.
Um dos fatos mais emblemáticos desse período envolveu o estudante Alexandre Vannucchi Leme, que em março de 1973 foi preso e torturado. Além dele, que se tornou um dos mártires da luta contra a ditadura, Gerardo Magela da Costa, outra liderança do movimento estudantil que morou em Sorocaba, morreu no mesmo ano. Segundo a versão oficial divulgada pelos órgãos de governo, Gerardo teria se suicidado, atirando-se do Viaduto do Chá, centro de São Paulo. A causa da morte foi atribuída a traumatismo crânio-encefálico. O laudo foi assinado por Otávio D"Andréia, legista da ditadura militar, responsável por inúmeros pareceres falsos de morte de prisioneiros políticos, a exemplo de Luís Eurico Tejera Lisboa, morto sob tortura em São Paulo.
O histórico da repressão militar em Sorocaba e região destaca um episódio icônico do período, a prisão de quase mil estudantes em outubro de 1968 num sítio em Ibiúna, durante o 30º Congresso Nacional da UNE (União Nacional dos Estudantes), dissolvido por ação conjunta de 215 policiais da Força Pública e Dops, então comandados pelo cel. Divo Barsotti, do 7º BP.
Entre os detidos estava o ex-vereador de Sorocaba, à época aluno do curso de Farmácia e Bioquímica da USP, Osvaldo Francisco Noce. O encontro, conta ele, hoje com 75 anos, serviria para reconduzir a chapa encabeçada por Luiz Travassos à presidência da entidade, e, também, para reafirmar a plataforma de lutas do movimento estudantil. Natural de Araçatuba, Noce fazia parte, dentro da União Estadual dos Estudantes (UEE), da comissão responsável pela organização e mobilização no interior
Não houve, ao menos, tempo para que os debates programados para os dias 11, 12 e 13 de outubro (e, sobretudo a eleição dos dirigentes) ocorressem. "Não houve tempo para nada. No sábado pela manhã, por volta das 9h, nós fomos surpreendidos por policiais militares que, sem muita dificuldade, deram por encerrada a reunião e detiveram todos que ali se encontravam, inclusive eu", lembra Noce.
Por não ser liderança, Noce foi menos visado. Mesmo assim, foi transferido para o Carandiru, onde ficou detido por dois meses. Os então líderes da UNE José Dirceu, Luiz Travassos e Vladimir Palmeira, entre outros, ficaram mais tempo presos. A libertação do grupo seria exigida, anos depois, pelos ativistas que sequestraram o embaixador dos Estados Unidos. Osvaldo Noce ainda retornou à USP onde, junto com outros companheiros, avaliou os rumos da mobilização. Aprovado no vestibular, cursou Biologia. Mudou-se, muito depois do episódio, para Sorocaba, onde ajudou a fundar o diretório do Partido dos Trabalhadores (PT), pelo qual se elegeu vereador e cumpriu três mandatos. Posteriormente, filiou-se ao Psol.
Comissão da Verdade trabalhou por um ano
Sorocaba, no mês de fevereiro de 2014, a Câmara de Sorocaba criou a Comissão Municipal da Verdade, encarregada de apurar casos de violação de direitos humanos no município durante o regime militar (1964-1985). O pedido foi feito por um grupo de estudiosos do assunto, militantes e sindicalistas, liderados pelo professor de filosofia Daniel Lopes, de 34 anos, que também trabalhou na Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, dirigida, à época, pelo ministro Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul. A Comissão da Verdade, em Sorocaba, teve como presidente o ex-vereador Izídio de Brito. Anselmo Neto, hoje secretário municipal, secretariou os trabalhos, que duraram aproximadamente um ano.
"Período muito curto. Não havia tempo. Nossa preocupação era anexar os depoimentos colhidos, na cidade, aos documentos estaduais e nacionais. E o prazo acabava naquele ano. Também, o fato de ser um trabalho voluntário, precarizava a investigação", lembra Daniel Lopes, observando que o grupo conseguiu, entretanto, cumprir seu papel. "Em razão do tempo curto, muito ficou sem a devida apuração. Apuramos que houve muitos sorocabanos torturados, entretanto, torturados fora de Sorocaba. Principalmente em São Paulo. A maioria era presa aqui, mas torturada fora daqui. Sobre torturas aqui, não conseguimos nenhuma informação sólida, ainda que reste a suspeita."
De outro lado, conta, a comissão abriu a possibilidade para que muitas histórias desconhecidas ficassem públicas, como a do estudante, desaparecido até os dias de hoje, Marco Antonio Dias Batista. Ele tinha 16 anos. É o desaparecido político mais jovem do Brasil. Era sorocabano. Foi preso em Goiânia, quando parte de sua família mudou-se para lá. Era militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), organização de Carlos Lamarca. Ou a história de Dona Odete, que tinha, junto de seu marido, um comércio na rua Coronel Benedito Pires e estava grávida quando foi presa, quase sofrendo um aborto, em razão das torturas.
Para investigar, além dos próprios depoimentos e informações anônimas, a comissão também contou com os documentos do serviço de inteligência da própria ditadura. Muitos desses documentos, hoje em dia, são públicos. As famílias e os perseguidos também encaminhavam documentos. "Todos da sociedade civil, que participaram da comissão, trabalharam voluntariamente, sem ganhar nada, apenas pela convicção de que era necessário reescrever a história do período em Sorocaba, dando voz aos que ficaram sufocados, seja por prisão, tortura, censura, medo ou outro motivo, para que as próximas gerações tenham acesso à verdade histórica e compreendam a importância da manutenção de um ambiente democrático. Para mim, o mais importante é esclarecer aos sorocabanos que houve efetiva perseguição política em Sorocaba. Que sorocabanos foram perseguidos, presos, torturados e assassinados, desde políticos a pessoas comuns", afirmou Daniel.
Segundo ele, há uma tentativa, na disputa de narrativas históricas, de transformar o golpe de 1964 em um ato "brando". "Isso é um perigo. A ditadura corresponde a uma página triste de nossa história, e não pode ser esquecida", diz, lembrando que a Alemanha mantém museus que retratam o nazismo até os dias de hoje, para que os alemães não se esqueçam dos erros cometidos. Baseiam-se no conceito de "banalidade do mal", da filósofa Hannah Arendt, de que todos os seres humanos são capazes de cometer atrocidades, numa sociedade massificada em que as pessoas não são estimuladas a pensar.
Usuários da cidade reclamam do atendimento do Iamspe
José Antonio Rosa - joseantonio.rosa@jcruzeiro.com.br
Usuários do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual em Sorocaba (Iamspe) ainda enfrentam dificuldades para ser atendidos, passados quatro anos do início dos problemas. A autarquia tem cadastrados na cidade cerca de 24 mil beneficiários entre titulares e dependentes. O Iamspe, em nota, refuta as reclamações e afirma que elas não procedem.
As queixas dos usuários vão desde a falta de hospitais conveniados à demora no agendamento de consultas e de exames, além do atendimento a casos de urgência. "O serviço não é prestado com a eficiência que deveria", afirma a advogada Marcia Regina Limberti Gaspar, uma das que se sentem prejudicadas com o problema.
Ela, que passa por tratamento com mastologista, aguarda para setembro o resultado de avaliação que irá determinar se terá, ou não, de se submeter à cirurgia. "Já não contamos com atendimento hospitalar, até porque não existe nenhum mesmo. Hoje, quem precisa de urgência, tem de ir para São Paulo no Servidor Público, isso se não morrer antes", disse.
"Se eu passar mal e precisar de atendimento de urgência, terei de ir à Med Urgências, que fica na Juscelino Kubitscheck; porém, lá é um tipo de ambulatório. Se a pessoa estiver tendo um AVC ou um ataque cardíaco, os chamados hospitais de referência não vão atender. São específicos para determinadas ocorrências", acrescenta a conveniada. Ela também alega que a orientação para que o interessado procure o Centro de Assistência Médica (Ceama, a base local do Instituto) em caso de dificuldades para exames, não procede.
Outra usuária, Mirtes Zuchero diz que aqueles que dependem de exame de imagem têm de esperar abrir vaga em unidades credenciadas e fazer o pedido somente por e-mail, o que não garante a assistência, uma vez que nem sempre há vaga. "Absurdo pagar um convênio e ficar à mercê da sorte. No meu caso, preciso de acompanhamento com mastologista para setembro, porém não se sabe quando conseguirei fazer os exames", acrescenta Márcia Regina.
Outro conveniado, Jonas Ribeiro lembra que a confusão toda já se arrasta há quatro anos. "Tentaram resolver de várias maneiras, mas nada resolveu. Ficamos sabendo de reunião em escritório de deputado, de audiências públicas na Câmara, de cobranças feitas diretamente ao Iamspe, ao governo estadual, mas até agora nada."
Márcia Regina comenta, com base em comunicado da Associação à qual seu filho é vinculado, quais são os serviços prestados pelos hospitais conveniados na cidade. O Modelo, por exemplo, no setor de pronto-atendimento disponibiliza serviços de ortopedia para casos de urgência, inclusive fraturas e que demandem internação; obstetrícia, para mulheres que estiverem em trabalho de parto, e pediatria (urgência).
Iamspe nega problemas
Em nota de sua assessoria de imprensa, o Iamspe informou que "não procede a informação de que não há hospitais de referência em Sorocaba: são duas unidades credenciadas na cidade: o Hospital Evangélico e, mais recentemente, o Hospital Modelo, além da clínica Climeso (Med Urgências) para urgências e emergências".
Além desses, segue o comunicado, os usuários locais também contam com mais de 40 serviços médicos e laboratoriais em 15 diferentes especialidades, com mais de 190 médicos e seis policlínicas. Números divulgados pelo Instituto revelam que de janeiro de 2016 a abril de 2017 foram realizadas no município mais de 110 mil consultas, 264 mil exames e 1,1 mil cirurgias. Nos últimos seis anos, foram investidos mais de R$ 65,8 milhões em Sorocaba.
Ainda conforme o texto da nota, o Iamspe oferece na região de Sorocaba uma rede credenciada com mais de 80 recursos médicos e laboratoriais, além do Ceama no município e dez hospitais que atendem as demandas dos usuários, incluindo os da cidade.
Os usuários que tiverem qualquer tipo de dificuldade, segundo a nota, devem entrar em contato diretamente com o Ceama de Sorocaba, que vai indicar e agendar exames e consultas na rede credenciada pelos telefones: (15) 3217-3179/3144 ou 3222-3145, de segunda a sexta, das 7h às 16h.
Usuários do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual em Sorocaba (Iamspe) ainda enfrentam dificuldades para ser atendidos, passados quatro anos do início dos problemas. A autarquia tem cadastrados na cidade cerca de 24 mil beneficiários entre titulares e dependentes. O Iamspe, em nota, refuta as reclamações e afirma que elas não procedem.
As queixas dos usuários vão desde a falta de hospitais conveniados à demora no agendamento de consultas e de exames, além do atendimento a casos de urgência. "O serviço não é prestado com a eficiência que deveria", afirma a advogada Marcia Regina Limberti Gaspar, uma das que se sentem prejudicadas com o problema.
Ela, que passa por tratamento com mastologista, aguarda para setembro o resultado de avaliação que irá determinar se terá, ou não, de se submeter à cirurgia. "Já não contamos com atendimento hospitalar, até porque não existe nenhum mesmo. Hoje, quem precisa de urgência, tem de ir para São Paulo no Servidor Público, isso se não morrer antes", disse.
"Se eu passar mal e precisar de atendimento de urgência, terei de ir à Med Urgências, que fica na Juscelino Kubitscheck; porém, lá é um tipo de ambulatório. Se a pessoa estiver tendo um AVC ou um ataque cardíaco, os chamados hospitais de referência não vão atender. São específicos para determinadas ocorrências", acrescenta a conveniada. Ela também alega que a orientação para que o interessado procure o Centro de Assistência Médica (Ceama, a base local do Instituto) em caso de dificuldades para exames, não procede.
Outra usuária, Mirtes Zuchero diz que aqueles que dependem de exame de imagem têm de esperar abrir vaga em unidades credenciadas e fazer o pedido somente por e-mail, o que não garante a assistência, uma vez que nem sempre há vaga. "Absurdo pagar um convênio e ficar à mercê da sorte. No meu caso, preciso de acompanhamento com mastologista para setembro, porém não se sabe quando conseguirei fazer os exames", acrescenta Márcia Regina.
Outro conveniado, Jonas Ribeiro lembra que a confusão toda já se arrasta há quatro anos. "Tentaram resolver de várias maneiras, mas nada resolveu. Ficamos sabendo de reunião em escritório de deputado, de audiências públicas na Câmara, de cobranças feitas diretamente ao Iamspe, ao governo estadual, mas até agora nada."
Márcia Regina comenta, com base em comunicado da Associação à qual seu filho é vinculado, quais são os serviços prestados pelos hospitais conveniados na cidade. O Modelo, por exemplo, no setor de pronto-atendimento disponibiliza serviços de ortopedia para casos de urgência, inclusive fraturas e que demandem internação; obstetrícia, para mulheres que estiverem em trabalho de parto, e pediatria (urgência).
Iamspe nega problemas
Em nota de sua assessoria de imprensa, o Iamspe informou que "não procede a informação de que não há hospitais de referência em Sorocaba: são duas unidades credenciadas na cidade: o Hospital Evangélico e, mais recentemente, o Hospital Modelo, além da clínica Climeso (Med Urgências) para urgências e emergências".
Além desses, segue o comunicado, os usuários locais também contam com mais de 40 serviços médicos e laboratoriais em 15 diferentes especialidades, com mais de 190 médicos e seis policlínicas. Números divulgados pelo Instituto revelam que de janeiro de 2016 a abril de 2017 foram realizadas no município mais de 110 mil consultas, 264 mil exames e 1,1 mil cirurgias. Nos últimos seis anos, foram investidos mais de R$ 65,8 milhões em Sorocaba.
Ainda conforme o texto da nota, o Iamspe oferece na região de Sorocaba uma rede credenciada com mais de 80 recursos médicos e laboratoriais, além do Ceama no município e dez hospitais que atendem as demandas dos usuários, incluindo os da cidade.
Os usuários que tiverem qualquer tipo de dificuldade, segundo a nota, devem entrar em contato diretamente com o Ceama de Sorocaba, que vai indicar e agendar exames e consultas na rede credenciada pelos telefones: (15) 3217-3179/3144 ou 3222-3145, de segunda a sexta, das 7h às 16h.
terça-feira, 15 de agosto de 2017
Petrobras abre processo seletivo com 159 vagas
Vanessa Sarzedas
do Agora
A Petrobras fará processo seletivo com 159 vagas nas regiões Sudeste e Nordeste. O edital foi publicado ontem.
do Agora
No Estado de São Paulo, há oportunidades em Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém e Santos, todas no litoral.
Além dessas, há outras 795 oportunidades para cadastro de reserva.
Das vagas abertas, 155 são para quem tem ensino médio/técnico completo e as outras quatro são para médico do trabalho júnior, que exige nível superior.
As chances de nível médio são para técnicos de enfermagem do trabalho júnior, inspeção de equipamentos e instalações júnior, operação júnior e de segurança júnior, além de técnicos de manutenção júnior nas áreas de caldeiraria, elétrica, instrumentação e mecânica.
Boa Tarde! Aniversário de Sorocaba hoje!
Locomotiva 58 faz passeio especial no dia do aniversário de Sorocaba
![]() |
A histórica Locomotiva 58 foi exibida para a população, nesta
terça-feira (15), pouco antes do horário marcado pela Prefeitura de
Sorocaba, que era a partir do meio-dia, na Estação Paula Souza, no
Centro de Sorocaba. Apesar da chuva fraca, o evento contou com a
participação de autoridades de Sorocaba e Votorantim, além de populares.
Os primeiros a andar na Locomotiva 58 foram os prefeitos de Sorocaba,
José Crespo (DEM) e o colega de partido, Fernando Oliveira, de
Votorantim, acompanhados de secretários municipais. Em seguida, a
Locomotiva fez mais algumas exibições para que o público pudesse
apreciar. Quatro integrantes do grupo de atores Nativos Terra Rasgada,
que estavam vestido à caráter, participaram da exibição para relembrar a
época das viagens de trens.
O aposentado Francisco Poveda, 72 anos, foi prestigiar a
exibição da Locomotiva 58 exatamente para relembrar a época saudosa das
viagens de trem. Ele disse que costuma ir de trem para São Paulo e
relembra com saudades daquele tempo.
Preparação
Para a apresentação, foi necessário realizar ações como teste
hidrostático de caldeira e de válvulas de segurança (executados por
empresa especializada e certificada no assunto); reparação de vazamentos
em juntas e tubulações; revisão de válvulas e injetores; substituição
de gaxetas e enchimentos dos eixos das rodas; limpeza e lubrificação.
Isso pelo fato de a locomotiva não ter recebido a manutenção necessária
nos últimos anos. Nos dias 29 e 30 foram realizados os testes de força e
de movimento da locomotiva, quando foi certificada que estava apta para
o funcionamento.
domingo, 13 de agosto de 2017
Pais solteiros' contam a experiência de assumir a responsabilidade pela criação da prole
Daniela Jacinto - daniela.jacinto@jcruzeiro.com.br
Eles trocam fraldas, dão mamadeira, ajudam na lição de casa, vão nas reuniões da escola e também se divertem muito com os filhos, seja jogando futebol, videogame ou até mesmo brincando de casinha. Os pais de hoje estão se envolvendo mais com a criação, e enquanto alguns compartilham as responsabilidades com as mães, outros assumiram sozinhos essa tarefa, por variados motivos, entre eles viuvez e separação. Esses "pais solteiros" tiveram a oportunidade de delegar a função para as mulheres da família, mas chamaram para si a função paterna e fizeram questão de vivenciá-la. Não é fácil, dizem eles, mas é gratificante porque não há nada nesse mundo que possa comparar o sentimento de união entre um pai e seus filhos.
Dorival Benedito Ferreira de Araujo, 41 anos, mora sozinho com o filho Guilherme, desde que o menino tinha 2 anos de idade. Faz parte de sua rotina levar para a escola, ao médico e nas atividades que a criança participa.
Conforme Dorival, foi ele que fez questão de ficar com o filho, hoje com 6 anos. "Eu ia visitar até os 2 anos, mas quando a mãe decidiu fazer a vida dela e formar uma família, eu pedi para ficar com o Guilherme. Ela não queria, lutei por ele e deu certo. Desde então é ela que o visita", conta Dorival, que trabalha como autônomo.
Para Dorival, Guilherme é a razão de sua vida e o faz se sentir mais completo. "Participo de reunião da escola, ajudo com as lições de casa... Ele se dá bem com os números, adora fazer contas, acho que me puxou porque sou assim", orgulha-se.
Pai e filho são acima de tudo amigos. "A gente costuma jogar bola, videogame e ainda andamos junto de bicicleta. É meu companheiro. Tudo o que aconteceu de melhor na minha vida foi ele."
Dorival conta que quis muito ficar com Guilherme porque já teve de viver distante da criação de suas duas filhas mais velhas, frutos de um outro relacionamento. Hoje elas têm 21 anos e 19 anos. "Não tive tanta convivência com elas", lamenta, acrescentando que criar é diferente.
Entre os ensinamentos que considera importante transmitir a seu filho, Dorival lembra que estão sempre as palavras "por favor" e "obrigado".
Apesar de pai e filho morarem sozinhos, Dorival ressalta que tem uma companheira, Simone, que o ajuda muito. "Sou grato a ela porque cuida de nós dois também."
Presente desde a primeira mamada
Foi na adolescência que José Lima de Almeida se tornou pai. Na época com 19 anos, e por decisões do destino, foi ele quem deu o primeiro leite para Samuel. A mãe, Angélica, morreu dez dias após o parto e não chegou a amamentar porque estava muito doente.
José, hoje com 29 anos, conta que perdeu quem amava e precisou arranjar forças para continuar, já que em seus braços tinha um bebê necessitando de cuidados. "Namorava com a Angélica desde que eu tinha 15 anos. Foi muito difícil pra mim", lembra ele.
Apesar do sofrimento, José diz que não pensou em nenhum momento em delegar a função de cuidar do filho para ninguém. Se quisesse, poderia ter deixado o menino com a avó materna, que queria ter ficado com a criança, mas ele afirma que isso nem passou pela sua cabeça.
Desde então veio o banho, a troca de fraldas, as vacinas, os primeiros passos, os dentes nascendo. Cada etapa foi acompanhada de perto pelo pai. "Na época eu era muito novo e minha família me ajudou. Aprendi com minha mãe e minha tia, elas me ensinaram como ser pai. Foi tranquilo, fui pegando o jeito. E ele é bonzinho também", diz.
José afirma que sempre teve vontade de ser um pai presente, porque quando tinha 7 anos e seus pais se separaram, apenas a mãe assumiu a criação dos filhos. "Cuidar do meu filho para mim é natural, não é nenhum sacrifício. Sempre fui muito chegado nele, é muito bom cuidar de alguém que você gosta."
Para quem pensa em ter um filho, José aconselha a ter ciência do que está fazendo, para não prejudicar o futuro da criança. "Ter filho é investimento, não é só levar na escola, a criança tem de fazer um esporte, aprender música, é preciso levar para passeios", diz.
Tudo pelo filho
Exercer a função de pai, comenta José, também tem momentos de dúvidas e insegurança. "Como o Samuel é meu primeiro filho, muitas vezes paro para analisar se estou sendo muito bravo ou muito frouxo, mas o importante é você querer fazer o melhor."
José também passou por momentos angustiantes, apreensivo com a saúde da criança. "Tive de aguardar até ele completar 3 anos para poder saber se herdaria uma doença genética, degenerativa. É angustiante, horrível. Graças a Deus ele não tinha. É complicado ser pai ou mãe sozinho, por isso optei por continuar morando com minha família."
Se fosse morar sozinho, afirma José, seria pior para a criança. "Na época eu chegava tarde em casa por causa do trabalho e não tinha como dar tanta atenção, mas foi pensando no Samuel que resolvi sair daquele emprego e abrir uma empresa."
Desde que se tornou dono do próprio negócio, José passou a acompanhar mais de perto a vida do Samuel. "Quando tem evento na escola dele à tarde, agora posso ir. Também levo ao dentista e algumas vezes o levo na empresa para ficar comigo. À noite, quando ele chega da escola, já estou em casa e aí fazemos a lição juntos."
Ser pai solteiro também significa abrir mão de muitas coisas. "Tive de deixar de sair passear à noite, e também de morar fora. Já terminei com namorada que não gostava que eu tivesse filho... Não é fácil mas não vou ser um cara que vai se arrepender e pensar que meu filho cresceu e não estive com ele. Estou no caminho certo, e sei disso principalmente porque não tive meu pai perto de mim."
Apesar do tamanho da responsabilidade, José assume com facilidade. "É uma atribuição muito boa porque no final das contas você faz isso porque gosta do seu filho. É por isso que as pessoas têm filho, porque apesar de ser difícil, é bom. A gente dá risada, volta a ser criança de novo, tudo isso compensa muito. Você sabe que tem um amor na sua vida. Eu adoro ter ele."
Além de Samuel ser o sentido da vida de José, ele como pai se sente em segundo plano quando lembra da mãe do menino, que teve uma gravidez de risco. "Se eu estivesse longe do Samuel, não estaria honrando o que a mãe dele fez por ele. O mínimo que eu posso fazer é ser um bom pai. Eu faço tudo o que faço, e mesmo assim não chega perto do que a Angélica fez por ele."
Criar os filhos é uma grande missão que Cristiano assumiu há cinco anos
"Pode pá" (pode crer), "ramelão" (vacilão, que dá mancadas), "chavoso" (estilo de se vestir)... Essas são algumas das gírias faladas na casa de Cristiano Nascimento, 41 anos, para quem ser pai de adolescente é, entre outras coisas, aprender cada dia um novo vocabulário.
Separado da esposa há 10 anos, no decorrer dos primeiros cinco anos quem ficou com as crianças foi a mãe, e há cinco anos, Cristiano assumiu a tarefa e mora sozinho com Christian, hoje com 17 anos, e Mellanie, 15 anos. "Eles trazem muitos pensamentos inovadores para mim e quando têm dúvidas, nunca é uma resposta fácil, simples. Muitas vezes eu falo que vou pensar sobre o assunto para conversar com eles depois", conta Cristiano.
Na época que os filhos foram morar com ele, o menino estava com 12 anos e a menina com 10, bem naquela fase de transição entre a infância e a adolescência. Por ser homem, Cristiano teve maior dificuldade para lidar com a Mellanie. Criar uma menina que estava se tornando mocinha não foi simples para ele. Cristiano conta que se valeu de conversas com amigas para entender mais sobre as questões femininas e poder explicar para a filha sobre o que aconteceria com seu corpo. "Como sou garota, tem coisas que a gente se sente mais à vontade para falar com a mãe, mas morar com o pai tem sido uma experiência muito boa também, cada estilo é diferente", diz Mellanie.
Christian comenta que morar com o pai tem lhe ensinado a ter independência emocional. "A falta de convivência diária com a minha mãe, me fez cultivar mais amizades, aprender a lidar melhor com meus problemas. Tenho um pai amigo, mas também um pai firme. Ele mais me ajuda do que me censura, isso é muito bom para mim na questão emocional."
Sabedoria
Cristiano conta que essa paternidade mais presente faz com que busque a sabedoria para lidar com dois universos diferentes. "A Mellanie, muitas vezes, quer coisas além do que cabe na sua idade, já o Christian preciso empurrar mais. Quem está aprendendo com tudo isso sou eu, quem mais recebe sou eu", diz o pai.
Em termos de desenvolvimento, de grau de maturidade, convívio social, opiniões e posicionamentos, Cristiano avalia que os filhos estão caminhando muito bem. "Percebo que eles estão bem, comparando com atitudes de jovens da mesma idade", orgulha-se.
Uma regra básica na casa de Cristiano é o respeito um pelo outro, isso aliás, desde pequenos. Ainda na infância o pai ensinava que se brigassem teriam de se entender. Para isso, Cristiano colocava os dois para escolherem arroz e feijão. "Ele misturava bem o arroz e o feijão e nos colocava para separar. Isso fazia com que a gente acabasse conversando de novo", contam os filhos. "Isso nos uniu. Nós nos damos muito bem", completam Christian e Mellanie.
Na casa de Cristiano não tem essa de tabu, todos os assuntos são permitidos e levantados para discussão e reflexão. Eles falam sobre política, religião, drogas, sexualidade... "Tudo é colocado na mesa. Eu tenho uma filosofia de desconstrução de crenças. Não é porque sou o pai que acho que minha verdade tem de prevalecer, cada um tem a sua verdade e a gente não precisa concordar. Tem pais que ficam enfiando suas verdades na cabeça dos filhos, depois eles se revoltam e acabam vendo os pais como uma prisão."
Cristiano acredita que no geral seus filhos já sabem lidar sozinhos com uma série de situações. "Meu maior desafio e acho que também minha maior sorte é aprender como funcionam essas pessoas, para que eu possa ajudá-los. Ser pai para mim é uma grande missão, é uma forma de retribuir o que fizeram por mim. Só sendo pai você vai entender o que fizeram por você."
Homens mostram que também são capazes
Culturalmente, as mulheres estão mais acostumadas a assumir sozinhas as responsabilidades com as crianças e justamente por isso o homem acaba sendo rotulado como alguém que não teria condições de cuidar sozinho dos filhos. É também uma forma de preconceito com relação a eles e que tem mudado ao longo dos anos, já que cada vez mais os homens estão interessados em se envolver com a educação dos filhos e arrumando um jeito para se fazerem mais presentes.
Cássia Maria Prigenzi Vilela, terapeuta familiar e médica homeopata, lembra que a guarda compartilhada foi um avanço nesse sentido. Até então, apenas a mulher tinha essa vantagem, de ficar com os filhos após um divórcio. Outro fato que tem contribuído para mais homens desfrutarem de convivência maior com os filhos, diz a terapeuta, é a formação dos casais homoafetivos, que muitas vezes optam por adotar crianças; tinham filhos de relações anteriores; ou contaram com a ajuda da ciência para terem seus próprios filhos. "A gente vive um momento diferente. Os homens estão experimentando outros lugares, podendo serem pais mais participativos. Esse é um movimento interessante, o que tem proporcionado para mais pessoas conviverem com seus pais", observa.
Sim, há muitos homens que conseguem bancar a criação sozinhos, da mesma forma as mães fazem. "São pais que têm condições de suprir o que é importante para a criança. O fundamental é que, independente do gênero, se pai ou mãe, é preciso ter disponibilidade afetiva para acompanhar, olhar para essa criança, dar o suporte necessário. A criança precisa saber que pode contar com essa figura, saber que tem um porto de segurança e afeto. Isso a faz se sentir confiante para se desenvolver no mundo."
Ainda conforme Cássia, o ideal seria se o casal pudesse criar os filhos juntos, mas caso não seja possível, é muito positiva essa ampliação e flexibilização dos papeis da mãe e do pai. "Os homens de hoje estão se dispondo com amorosidade a viver isso, estão se legitimando como pais e nesse sentido todos saem ganhando: os pais, os filhos e a sociedade."
Eles trocam fraldas, dão mamadeira, ajudam na lição de casa, vão nas reuniões da escola e também se divertem muito com os filhos, seja jogando futebol, videogame ou até mesmo brincando de casinha. Os pais de hoje estão se envolvendo mais com a criação, e enquanto alguns compartilham as responsabilidades com as mães, outros assumiram sozinhos essa tarefa, por variados motivos, entre eles viuvez e separação. Esses "pais solteiros" tiveram a oportunidade de delegar a função para as mulheres da família, mas chamaram para si a função paterna e fizeram questão de vivenciá-la. Não é fácil, dizem eles, mas é gratificante porque não há nada nesse mundo que possa comparar o sentimento de união entre um pai e seus filhos.
Dorival Benedito Ferreira de Araujo, 41 anos, mora sozinho com o filho Guilherme, desde que o menino tinha 2 anos de idade. Faz parte de sua rotina levar para a escola, ao médico e nas atividades que a criança participa.
Conforme Dorival, foi ele que fez questão de ficar com o filho, hoje com 6 anos. "Eu ia visitar até os 2 anos, mas quando a mãe decidiu fazer a vida dela e formar uma família, eu pedi para ficar com o Guilherme. Ela não queria, lutei por ele e deu certo. Desde então é ela que o visita", conta Dorival, que trabalha como autônomo.
Para Dorival, Guilherme é a razão de sua vida e o faz se sentir mais completo. "Participo de reunião da escola, ajudo com as lições de casa... Ele se dá bem com os números, adora fazer contas, acho que me puxou porque sou assim", orgulha-se.
Pai e filho são acima de tudo amigos. "A gente costuma jogar bola, videogame e ainda andamos junto de bicicleta. É meu companheiro. Tudo o que aconteceu de melhor na minha vida foi ele."
Dorival conta que quis muito ficar com Guilherme porque já teve de viver distante da criação de suas duas filhas mais velhas, frutos de um outro relacionamento. Hoje elas têm 21 anos e 19 anos. "Não tive tanta convivência com elas", lamenta, acrescentando que criar é diferente.
Entre os ensinamentos que considera importante transmitir a seu filho, Dorival lembra que estão sempre as palavras "por favor" e "obrigado".
Apesar de pai e filho morarem sozinhos, Dorival ressalta que tem uma companheira, Simone, que o ajuda muito. "Sou grato a ela porque cuida de nós dois também."
Presente desde a primeira mamada
Foi na adolescência que José Lima de Almeida se tornou pai. Na época com 19 anos, e por decisões do destino, foi ele quem deu o primeiro leite para Samuel. A mãe, Angélica, morreu dez dias após o parto e não chegou a amamentar porque estava muito doente.
José, hoje com 29 anos, conta que perdeu quem amava e precisou arranjar forças para continuar, já que em seus braços tinha um bebê necessitando de cuidados. "Namorava com a Angélica desde que eu tinha 15 anos. Foi muito difícil pra mim", lembra ele.
Apesar do sofrimento, José diz que não pensou em nenhum momento em delegar a função de cuidar do filho para ninguém. Se quisesse, poderia ter deixado o menino com a avó materna, que queria ter ficado com a criança, mas ele afirma que isso nem passou pela sua cabeça.
Desde então veio o banho, a troca de fraldas, as vacinas, os primeiros passos, os dentes nascendo. Cada etapa foi acompanhada de perto pelo pai. "Na época eu era muito novo e minha família me ajudou. Aprendi com minha mãe e minha tia, elas me ensinaram como ser pai. Foi tranquilo, fui pegando o jeito. E ele é bonzinho também", diz.
José afirma que sempre teve vontade de ser um pai presente, porque quando tinha 7 anos e seus pais se separaram, apenas a mãe assumiu a criação dos filhos. "Cuidar do meu filho para mim é natural, não é nenhum sacrifício. Sempre fui muito chegado nele, é muito bom cuidar de alguém que você gosta."
Para quem pensa em ter um filho, José aconselha a ter ciência do que está fazendo, para não prejudicar o futuro da criança. "Ter filho é investimento, não é só levar na escola, a criança tem de fazer um esporte, aprender música, é preciso levar para passeios", diz.
Tudo pelo filho
Exercer a função de pai, comenta José, também tem momentos de dúvidas e insegurança. "Como o Samuel é meu primeiro filho, muitas vezes paro para analisar se estou sendo muito bravo ou muito frouxo, mas o importante é você querer fazer o melhor."
José também passou por momentos angustiantes, apreensivo com a saúde da criança. "Tive de aguardar até ele completar 3 anos para poder saber se herdaria uma doença genética, degenerativa. É angustiante, horrível. Graças a Deus ele não tinha. É complicado ser pai ou mãe sozinho, por isso optei por continuar morando com minha família."
Se fosse morar sozinho, afirma José, seria pior para a criança. "Na época eu chegava tarde em casa por causa do trabalho e não tinha como dar tanta atenção, mas foi pensando no Samuel que resolvi sair daquele emprego e abrir uma empresa."
Desde que se tornou dono do próprio negócio, José passou a acompanhar mais de perto a vida do Samuel. "Quando tem evento na escola dele à tarde, agora posso ir. Também levo ao dentista e algumas vezes o levo na empresa para ficar comigo. À noite, quando ele chega da escola, já estou em casa e aí fazemos a lição juntos."
Ser pai solteiro também significa abrir mão de muitas coisas. "Tive de deixar de sair passear à noite, e também de morar fora. Já terminei com namorada que não gostava que eu tivesse filho... Não é fácil mas não vou ser um cara que vai se arrepender e pensar que meu filho cresceu e não estive com ele. Estou no caminho certo, e sei disso principalmente porque não tive meu pai perto de mim."
Apesar do tamanho da responsabilidade, José assume com facilidade. "É uma atribuição muito boa porque no final das contas você faz isso porque gosta do seu filho. É por isso que as pessoas têm filho, porque apesar de ser difícil, é bom. A gente dá risada, volta a ser criança de novo, tudo isso compensa muito. Você sabe que tem um amor na sua vida. Eu adoro ter ele."
Além de Samuel ser o sentido da vida de José, ele como pai se sente em segundo plano quando lembra da mãe do menino, que teve uma gravidez de risco. "Se eu estivesse longe do Samuel, não estaria honrando o que a mãe dele fez por ele. O mínimo que eu posso fazer é ser um bom pai. Eu faço tudo o que faço, e mesmo assim não chega perto do que a Angélica fez por ele."
Criar os filhos é uma grande missão que Cristiano assumiu há cinco anos
"Pode pá" (pode crer), "ramelão" (vacilão, que dá mancadas), "chavoso" (estilo de se vestir)... Essas são algumas das gírias faladas na casa de Cristiano Nascimento, 41 anos, para quem ser pai de adolescente é, entre outras coisas, aprender cada dia um novo vocabulário.
Separado da esposa há 10 anos, no decorrer dos primeiros cinco anos quem ficou com as crianças foi a mãe, e há cinco anos, Cristiano assumiu a tarefa e mora sozinho com Christian, hoje com 17 anos, e Mellanie, 15 anos. "Eles trazem muitos pensamentos inovadores para mim e quando têm dúvidas, nunca é uma resposta fácil, simples. Muitas vezes eu falo que vou pensar sobre o assunto para conversar com eles depois", conta Cristiano.
Na época que os filhos foram morar com ele, o menino estava com 12 anos e a menina com 10, bem naquela fase de transição entre a infância e a adolescência. Por ser homem, Cristiano teve maior dificuldade para lidar com a Mellanie. Criar uma menina que estava se tornando mocinha não foi simples para ele. Cristiano conta que se valeu de conversas com amigas para entender mais sobre as questões femininas e poder explicar para a filha sobre o que aconteceria com seu corpo. "Como sou garota, tem coisas que a gente se sente mais à vontade para falar com a mãe, mas morar com o pai tem sido uma experiência muito boa também, cada estilo é diferente", diz Mellanie.
Christian comenta que morar com o pai tem lhe ensinado a ter independência emocional. "A falta de convivência diária com a minha mãe, me fez cultivar mais amizades, aprender a lidar melhor com meus problemas. Tenho um pai amigo, mas também um pai firme. Ele mais me ajuda do que me censura, isso é muito bom para mim na questão emocional."
Sabedoria
Cristiano conta que essa paternidade mais presente faz com que busque a sabedoria para lidar com dois universos diferentes. "A Mellanie, muitas vezes, quer coisas além do que cabe na sua idade, já o Christian preciso empurrar mais. Quem está aprendendo com tudo isso sou eu, quem mais recebe sou eu", diz o pai.
Em termos de desenvolvimento, de grau de maturidade, convívio social, opiniões e posicionamentos, Cristiano avalia que os filhos estão caminhando muito bem. "Percebo que eles estão bem, comparando com atitudes de jovens da mesma idade", orgulha-se.
Uma regra básica na casa de Cristiano é o respeito um pelo outro, isso aliás, desde pequenos. Ainda na infância o pai ensinava que se brigassem teriam de se entender. Para isso, Cristiano colocava os dois para escolherem arroz e feijão. "Ele misturava bem o arroz e o feijão e nos colocava para separar. Isso fazia com que a gente acabasse conversando de novo", contam os filhos. "Isso nos uniu. Nós nos damos muito bem", completam Christian e Mellanie.
Na casa de Cristiano não tem essa de tabu, todos os assuntos são permitidos e levantados para discussão e reflexão. Eles falam sobre política, religião, drogas, sexualidade... "Tudo é colocado na mesa. Eu tenho uma filosofia de desconstrução de crenças. Não é porque sou o pai que acho que minha verdade tem de prevalecer, cada um tem a sua verdade e a gente não precisa concordar. Tem pais que ficam enfiando suas verdades na cabeça dos filhos, depois eles se revoltam e acabam vendo os pais como uma prisão."
Cristiano acredita que no geral seus filhos já sabem lidar sozinhos com uma série de situações. "Meu maior desafio e acho que também minha maior sorte é aprender como funcionam essas pessoas, para que eu possa ajudá-los. Ser pai para mim é uma grande missão, é uma forma de retribuir o que fizeram por mim. Só sendo pai você vai entender o que fizeram por você."
Homens mostram que também são capazes
Culturalmente, as mulheres estão mais acostumadas a assumir sozinhas as responsabilidades com as crianças e justamente por isso o homem acaba sendo rotulado como alguém que não teria condições de cuidar sozinho dos filhos. É também uma forma de preconceito com relação a eles e que tem mudado ao longo dos anos, já que cada vez mais os homens estão interessados em se envolver com a educação dos filhos e arrumando um jeito para se fazerem mais presentes.
Cássia Maria Prigenzi Vilela, terapeuta familiar e médica homeopata, lembra que a guarda compartilhada foi um avanço nesse sentido. Até então, apenas a mulher tinha essa vantagem, de ficar com os filhos após um divórcio. Outro fato que tem contribuído para mais homens desfrutarem de convivência maior com os filhos, diz a terapeuta, é a formação dos casais homoafetivos, que muitas vezes optam por adotar crianças; tinham filhos de relações anteriores; ou contaram com a ajuda da ciência para terem seus próprios filhos. "A gente vive um momento diferente. Os homens estão experimentando outros lugares, podendo serem pais mais participativos. Esse é um movimento interessante, o que tem proporcionado para mais pessoas conviverem com seus pais", observa.
Sim, há muitos homens que conseguem bancar a criação sozinhos, da mesma forma as mães fazem. "São pais que têm condições de suprir o que é importante para a criança. O fundamental é que, independente do gênero, se pai ou mãe, é preciso ter disponibilidade afetiva para acompanhar, olhar para essa criança, dar o suporte necessário. A criança precisa saber que pode contar com essa figura, saber que tem um porto de segurança e afeto. Isso a faz se sentir confiante para se desenvolver no mundo."
Ainda conforme Cássia, o ideal seria se o casal pudesse criar os filhos juntos, mas caso não seja possível, é muito positiva essa ampliação e flexibilização dos papeis da mãe e do pai. "Os homens de hoje estão se dispondo com amorosidade a viver isso, estão se legitimando como pais e nesse sentido todos saem ganhando: os pais, os filhos e a sociedade."
Olá! Parabéns a todos os papais!
Não fui ver meu pai em Apiaí mais falei muitooo com ele hoje. De manhã fui ver a Orquestra sinfônica da Marinha, na pista de caminhada do Campolim.
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
Enquanto isso em Sorocity...
Ação do MP acusa nepotismo em nomeação na Prefeitura
O promotor de Justiça Orlando Bastos Filho protocolou nesta quarta-feira (09), no Fórum de Sorocaba, uma ação civil pública com pedido de liminar, por prática de nepotismo, contra o prefeito José Crespo (DEM), o secretário municipal de Abastecimento e Nutrição, Alexandre Hugo de Morais e a servidora pública Ana Paula Aparecida de Morais Novaes, chefe da Seção de Pesquisa e Análise Tributária da Secretaria de Licitações e Contratos.
Segundo Orlando Bastos, a prática de nepotismo ficou caracterizada porque Ana Paula é irmã de Alexandre Hugo. Argumentou que, em razão do parentesco, a nomeação dela contraria dispositivos constitucionais (artigo 37 da Constituição Federal) e jurisprudência contida na Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a proibição do nepotismo.
Por esses motivos, o promotor solicitou à Justiça que determine a "imediata anulação" da nomeação de Ana Paula como chefe da Seção de Pesquisa e Análise Tributária, e que retome a sua função de auxiliar administrativo da Prefeitura. Solicitou também que ela, o prefeito e o secretário sejam condenados pela prática de ato de improbidade administrativa.
Por essa prática, o promotor pediu que sejam aplicadas as seguintes penas aos três citados: ressarcimento integral do dano, "considerando tudo o que indevidamente recebido pelo indevidamente nomeado", em solidariedade, com juros e correção; perda da função pública, atual ou futura; suspensão dos direitos políticos por cinco anos; pagamento de multa civil de cem vezes o valor da remuneração de cada um deles; proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios e incentivos fiscais. O valor pleiteado para o item de multa civil, somado, corresponde a R$ 4.990.816,00Nota da Prefeitura
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação e Eventos, a Secretaria de Assuntos Jurídicos e Patrimoniais informou que a Prefeitura não foi notificada sobre a referida ação. Também ressaltou que não houve qualquer nomeação que viole a súmula vinculante nº 13 do STF. E acrescentou que ainda aguarda a citação para conhecer o inteiro teor da ação.
Sobre moralidade
O promotor informou que Ana Paula é, desde 2010, concursada na função de auxiliar de administração com o salário de R$ 1.346,43, e foi nomeada para o cargo comissionado de chefe de Seção de Pesquisa e Análise Tributária com o salário de R$ 5.414,35 - equivalente a quatro vezes mais. "Curioso que em sete anos de carreira, só com a entrada de seu irmão no secretariado, (Ana Paula) passou do mais humilde cargo, a chefe de seção", compara o texto da ação.
Na avaliação de Orlando Bastos, de acordo com a Súmula do STF, o nepotismo existe mesmo que não haja subordinação entre os cargos ocupados pelos irmãos. Também considerou que o fato de Ana Paula ser servidora de carreira e ocupar função pública em comissão, exclusiva de servidores, "não afasta o nepotismo". E escreveu que constitui improbidade administrativa "qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições".
O artigo 37 da Constituição, citada na ação civil do promotor, determina que "a administração direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência". E a referida Súmula do STF, também citada no texto, diz que a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade viola a Constituição. .
Será? As filas de desempregados aqui em Sorocaba são gigantescas!
Indústria puxa abertura de 35.900 vagas no país
Vanessa Sarzedas e Folha de S.Paulo
do Agora
O Brasil criou 35,9 mil postos de trabalho com carteira assinada em
julho, segundo o Caged (cadastro de empregados e desempregados), do
Ministério do Trabalho.
do Agora
O resultado foi puxado pela indústria, um dos setores mais afetados pela crise, que, no mês passado, abriu 12.594 novas vagas.
Em junho, a indústria havia eliminado 7.887 empregos.
O resultado do mês de julho é o quarto positivo seguido.
Nos meses anteriores, porém, a alta vinha sendo puxada pela agropecuária, que, neste ano, teve uma supersafra.
Segundo o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, agora a situação é diferente.
"São empregos que não decorrem de sazonalidade e têm muito a ver com o poder de compra dos trabalhadores", disse.
Esse cara não desce na minha goela...discípulo do Temer. Tô foraaa!!
Doria quer fim de sopão ao ar livre para morador de rua
Folha de S.Paulo
A gestão João Doria (PSDB) quer limitar a distribuição de alimentos para moradores de rua de São Paulo.
Para isso, iniciou conversas com entidades assistenciais para pedir que essas doações diárias (sopas, marmitas e lanches, por exemplo) ocorram em áreas fechadas, como em tendas e outros centros de acolhida da cidade.
A iniciativa, em uma discussão que envolve secretarias e prefeituras regionais, tem como objetivo atrair os moradores de rua albergues, por exemplo, e dessa forma desestimulá-los a permanecer na rua.
Ao se alimentar ali, ele poderia permanecer para dormir, tomar um banho e usar o banheiro, o que também reduziria a sujeira que resulta das doações.
A gestão também quer um maior controle da qualidade do que é doado.
Para isso, busca elaborar regras que possam deixar mais clara a origem das refeições oferecidas, o popular "sopão".
Quinta corrida e produtiva.
Quanto coisa se resolve em dia de folga! Sinto-me muito bem ao resolver os pequenos aborrecimentos porque energia parada é energia desperdiçada. Botei as pequenas preocupações para andar.
domingo, 6 de agosto de 2017
Caminhada para ver o Por do sol
Caminhar ao final do dia para agradecer todas as bênçãos de Deus em nossas vidas é um ritual sagrado para mim. Essas são as belezas e revelações deste fim de Domingo.
Tenham todos uma semana Maravilhosaaaaa!!!
Tenham todos uma semana Maravilhosaaaaa!!!
Sobre esse filme...
Ontem resolvi assisti-lo novamente e quanta coisa bacana a história traz. A lei da atração está claramente explícita aqui. Como amadurecer o corpo e alma juntos faz toda a diferença para a pessoa.
Tem um bom tempo que resolvi soltar todos os relacionamentos tóxicos da minha vida, em todos os campos... Tudo aquilo que não acresce desaparece do meu caminho. Venho buscando um relacionamento bacana, que realmente tenha sintonia com minha vida, observo que as pessoas estão muito afoitas pelo ficar, pelos desejos sexuais ou momentâneos e esquecem de ver se há sintonia de almas; não sustentariam o relacionamento se os modismos desaparecessem de suas vidas.
Gostaria tanto de realizar também, de uma certa forma a minha história do COMER, AMAR E REZAR...tenho me dedicado bastante em me melhorar, cometo uns tropeções gigantes, porém, a meu modo, percebo cada vez mais minhas mudanças em relação ao mundo. Estou certa? Não sei...é só uma experiência de um ser errante neste mundo.
Tem um bom tempo que resolvi soltar todos os relacionamentos tóxicos da minha vida, em todos os campos... Tudo aquilo que não acresce desaparece do meu caminho. Venho buscando um relacionamento bacana, que realmente tenha sintonia com minha vida, observo que as pessoas estão muito afoitas pelo ficar, pelos desejos sexuais ou momentâneos e esquecem de ver se há sintonia de almas; não sustentariam o relacionamento se os modismos desaparecessem de suas vidas.
Gostaria tanto de realizar também, de uma certa forma a minha história do COMER, AMAR E REZAR...tenho me dedicado bastante em me melhorar, cometo uns tropeções gigantes, porém, a meu modo, percebo cada vez mais minhas mudanças em relação ao mundo. Estou certa? Não sei...é só uma experiência de um ser errante neste mundo.
Gratidão pela vida, pelo trabalho, pelas Bênçãos Divinas.
Olhando o Mundo com mais amor
Fiquei espantada com tanta força do querer dessa jovem...o motivo pelo qual ela estava vendendo doces no terminal de ônibus de Sorocaba é que ela foi posta para fora de casa, pela mãe e precisava de dinheiro para pagar uma república. A moça tinha uma aparência muito boa, pelo ritmo da conversa deu para perceber que a mãe não aguentou a rebeldia da filha...bem, sobre isso não cabe a mim julgar.
O que quero esclarecer é que eu tive muita vontade de ajudá-la e lembrava que tinha um dinheiro( fim de mês) guardado na bolsa e resolvi comprar o tal doce e não me arrependi. O melhor cupcake que já comi até hoje! Agradeci a moça e segui em frente.
Em uma das palestras de Rodrigo Vitorino ele fala a respeito de olhar o próximo com amor e praticar a gratidão, ajudar pessoas faz com que ajudemos a nós mesmos e a energia boa que lançamos ao Universo retorna com o bem que fizemos. Hoje ajudamos e amanhã seremos ajudados também. É bíblico. Dinheiro é energia e cabe a nós usarmos essa energia para o nosso bem.
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