José Antonio Rosa - joseantonio.rosa@jcruzeiro.com.br
Usuários do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual
em Sorocaba (Iamspe) ainda enfrentam dificuldades para ser atendidos,
passados quatro anos do início dos problemas. A autarquia tem
cadastrados na cidade cerca de 24 mil beneficiários entre titulares e
dependentes. O Iamspe, em nota, refuta as reclamações e afirma que elas
não procedem.
As queixas dos usuários vão desde a falta de hospitais conveniados à
demora no agendamento de consultas e de exames, além do atendimento a
casos de urgência. "O serviço não é prestado com a eficiência que
deveria", afirma a advogada Marcia Regina Limberti Gaspar, uma das que
se sentem prejudicadas com o problema.
Ela, que passa por tratamento com mastologista, aguarda para setembro o
resultado de avaliação que irá determinar se terá, ou não, de se
submeter à cirurgia. "Já não contamos com atendimento hospitalar, até
porque não existe nenhum mesmo. Hoje, quem precisa de urgência, tem de
ir para São Paulo no Servidor Público, isso se não morrer antes", disse.
"Se eu passar mal e precisar de atendimento de urgência, terei de ir à
Med Urgências, que fica na Juscelino Kubitscheck; porém, lá é um tipo de
ambulatório. Se a pessoa estiver tendo um AVC ou um ataque cardíaco, os
chamados hospitais de referência não vão atender. São específicos para
determinadas ocorrências", acrescenta a conveniada. Ela também alega que
a orientação para que o interessado procure o Centro de Assistência
Médica (Ceama, a base local do Instituto) em caso de dificuldades para
exames, não procede.
Outra usuária, Mirtes Zuchero diz que aqueles que dependem de exame de
imagem têm de esperar abrir vaga em unidades credenciadas e fazer o
pedido somente por e-mail, o que não garante a assistência, uma vez que
nem sempre há vaga. "Absurdo pagar um convênio e ficar à mercê da sorte.
No meu caso, preciso de acompanhamento com mastologista para setembro,
porém não se sabe quando conseguirei fazer os exames", acrescenta Márcia
Regina.
Outro conveniado, Jonas Ribeiro lembra que a confusão toda já se arrasta
há quatro anos. "Tentaram resolver de várias maneiras, mas nada
resolveu. Ficamos sabendo de reunião em escritório de deputado, de
audiências públicas na Câmara, de cobranças feitas diretamente ao
Iamspe, ao governo estadual, mas até agora nada."
Márcia Regina comenta, com base em comunicado da Associação à qual seu
filho é vinculado, quais são os serviços prestados pelos hospitais
conveniados na cidade. O Modelo, por exemplo, no setor de
pronto-atendimento disponibiliza serviços de ortopedia para casos de
urgência, inclusive fraturas e que demandem internação; obstetrícia,
para mulheres que estiverem em trabalho de parto, e pediatria
(urgência).
Iamspe nega problemas
Em nota de sua assessoria de imprensa, o Iamspe informou que "não
procede a informação de que não há hospitais de referência em Sorocaba:
são duas unidades credenciadas na cidade: o Hospital Evangélico e, mais
recentemente, o Hospital Modelo, além da clínica Climeso (Med Urgências)
para urgências e emergências".
Além desses, segue o comunicado, os usuários locais também contam com
mais de 40 serviços médicos e laboratoriais em 15 diferentes
especialidades, com mais de 190 médicos e seis policlínicas. Números
divulgados pelo Instituto revelam que de janeiro de 2016 a abril de 2017
foram realizadas no município mais de 110 mil consultas, 264 mil exames
e 1,1 mil cirurgias. Nos últimos seis anos, foram investidos mais de R$
65,8 milhões em Sorocaba.
Ainda conforme o texto da nota, o Iamspe oferece na região de Sorocaba
uma rede credenciada com mais de 80 recursos médicos e laboratoriais,
além do Ceama no município e dez hospitais que atendem as demandas dos
usuários, incluindo os da cidade.
Os usuários que tiverem qualquer tipo de dificuldade, segundo a nota,
devem entrar em contato diretamente com o Ceama de Sorocaba, que vai
indicar e agendar exames e consultas na rede credenciada pelos
telefones: (15) 3217-3179/3144 ou 3222-3145, de segunda a sexta, das 7h
às 16h.
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