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A chimpanzé Cecilia chegou nesta quarta-feira (5) ao Brasil para começar
a viver em um santuário natural com dezenas de congêneres graças a uma
ordem judicial inédita que permitiu que deixasse sua jaula em um
zoológico da Argentina, onde estava sozinha e mostrava sintomas de
depressão. O primata, de 19 anos, passou a manhã no aeroporto de
Guarulhos, em São Paulo, esperando que as autoridades finalizassem os
trâmites de admissão. No início da tarde, foi colocada em um caminhão
para ser levada ao Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba, onde vivem
outros 50 chimpanzés.
"Tudo saiu perfeito. O único
contratempo foi a burocracia", disse à AFP Miguel Angel Vaudano,
subdiretor do santuário, que esperava no lugar a chegada do animal.
Cecilia é a primeira chimpanzé do mundo a conseguir esse direito através
de um habeas corpus, um instrumento jurídico até então usado
exclusivamente para humanos, segundo a entidade protetora de primatas
GAP.
A chimpanzé estava triste e sozinha nos últimos anos no
zoológico de Mendoza (oeste da Argentina), e ficou ainda mais deprimida
quando seus companheiros de cativeiro Charly e Xuxa morreram. O objetivo
da transferência é melhorar sua qualidade de vida. O animal é "um
sujeito de direito e não um objeto", e Cecilia "se encontrava em
condições de cativeiro deploráveis no zoológico", segundo o texto da
demanda da ONG argentina Associação de Funcionários e Advogados pelos
Direitos dos Animais (Afada), que impulsou o habeas corpus e teve uma
sentença favorável na justiça.
No Santuário de Grandes
Primatas de Sorocaba, Cecilia passará por um período de quarentena e
depois será integrada a um dos grupos dos mais de 50 chimpanzés, que
convivem ao ar livre com outros 250 animais, entre felinos, ursos e
aves. O Santuário foi criado em 2000 como parte do Projeto Grandes
Primatas (GAP), que no seu site se define como "um movimento
internacional" que luta "pela garantia dos direitos básicos à vida,
liberdade e não-tortura dos grandes primatas não humanos - chimpanzés,
gorilas, orangotangos e bonobos, nossos parentes mais próximos no mundo
animal". (AFP)
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