domingo, 7 de maio de 2017

Há 72 anos, sorocabanos estavam presentes no fim da 2ª Guerra


Jornal Cruzeiro do Sul
Há 72 anos, jovens soldados sorocabanos encerravam uma importante etapa em defesa do Brasil. Com a derrota da Alemanha frente aos Aliados, no dia 8 de maio de 1945, a Segunda Guerra Mundial chegava ao fim e, com isso, também a missão de 100 pracinhas de Sorocaba convocados para a batalha. O grupo sempre foi referenciado e os jovens vistos como verdadeiros heróis pela população da cidade, que os recepcionou com muita festa, no pátio da estação da Estrada de Ferro Sorocabana quando retornaram ao País, em 5 de agosto daquele ano. O povo construiu o obelisco da praça do Fórum Velho e por muitos anos foram realizadas ali cerimônias para marcar a data da vitória do grupo de soldados. Com 95 anos, o professor Milton Marinho Martins foi um dos pracinhas daquele tempo e, apesar de não ter ido ao front de batalha, dedicou sua vida a homenagear os amigos que estiveram lá. Hoje, por conta da idade avançada, não consegue mais organizar as cerimônias, mas faz questão de lutar para manter viva a história. "Infelizmente, no Brasil o civismo está relaxado, diminuindo, não há mais tanto cuidado em manter a história."
 
O professor Milton conta que dos 100 sorocabanos que foram para a guerra, seis eram de sua turma do Tiro de Guerra, que havia passado pelo Exército poucos anos antes, em 1941. Naquele momento, ele lembra, a juventude acreditava que fazer a sua parte era um dever. Questionado se havia medo, ele foi enfático: "a sensação era "eu quero ir"". Isso acontecia, lembra o professor, porque a população brasileira pressionava o presidente Getúlio Vargas a tomar uma posição. "O Brasil entrou na guerra forçado", avalia, sobre a decisão que colocou o País ao lado de Estados Unidos, França e Inglaterra. Milton, entretanto, confessa que dois convocados chegaram a fugir.
 
Dos que foram à batalha, dois morreram na guerra e hoje dão nomes a ruas da região da Árvore Grande: Cesário de Aguiar e Antonio Martins de Oliveira. Um terceiro também chegou a morrer, mas nunca foi comprovado que tenha sido durante as batalhas. O professor Milton também critica aqueles que dizem que os jovens não estavam preparados para enfrentar uma guerra. "Tivemos, dentro das possibilidades, uma preparação. Fizemos um papel bonito na guerra", ele lembra, citando a capacitação para uso de máscaras contra ataques de gases, para abrir trincheiras e realizar diversos tipos de defesas.
 
A volta dos pracinhas a Sorocaba foi, para Milton, um dos dias mais emocionantes. "Calculo que havia umas 15 mil pessoas na estação ferroviária. Isso era muito para uma cidade que era bem menor, devia ter uns 100 mil habitantes." Nesta data, Milton foi o convidado para discursar dando as boas vindas aos combatentes, que eram carregados no ombro pelo povo. Depois da guerra, aqueles jovens, lembra o professor, receberam assistência do governo brasileiro para retomar suas vidas e, ainda que considere que esta poderia ter sido mais ampla, Milton conta que não foram deixados de lado. "Muitos foram acomodados para trabalhar em empresas públicas e estatais. Já os que foram mutilados ganharam uma casa do governo."
 
Milton Martins diz lamentar que os jovens já não se interessem tanto por aprender sobre a história do País e cultivar o civismo. "As pessoas estão muito decepcionadas com o governo. Mas é preciso lembrar que uma coisa é o governo. Outra é a Nação, o civismo.

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