Tudo era tão novo e interessante para mim, saia muito para conhecer museus e pontos turísticos e sobretudo, o famoso bairro Bom Retiro, onde muitas vezes eu ia comer Burekas e Varenikes, na casa Búlgara. Ah, eu me deliciava!
Cresci lendo os livros sobre o holocausto e ao me instalar na casa do Dani, minha intenção era saber um pouco mais sobre os judeus e sua cultura. Ficava maravilhada ao entrar no Centro da Cultura Judaica, próximo ao metrô Sumaré, eu passava horas por lá e quando voltava ia direto conversar com Dona Steffi sobre o que via e o que não via também(risos)...sinto muita saudade da sua risada, sua voz jovial e as histórias...Nossa, tem coisas que nada apaga de nossa memória e o coração reclama de tempos em tempos.
O fato é que, às terças-feiras, eu tinha folga da escola e enquanto o Dani, fazia treinamento em Ibiúna, eu ia ficar com sua mãe até que ele chegasse e nessas visitas ela contava-me histórias sobre o que lembrava da Alemanha, na época do Hitler e sobre como teve que sair de lá para não ser mandada ao campo de concentração. Uma dessas histórias tinha um protagonista muito peculiar: um chapéu.
Era uma manhã fria na Alemanha e Dona Steffi era ainda uma menininha de aproximadamente cinco anos que estava na estação de trem, com sua família, aguardando embarque. Estavam deixando o país para recomeçar a vida no Uruguai ou Argentina, tenho alguns lapsos de memória do efeito do hipotireoidismo. Todos os adultos estavam tensos, não foi fácil para a menininha de chapéu deixar seu país. O tempo ia correndo e os corações iam ficando aflitos a cada minuto que escapavam despercebidos...ia tudo muito bem até a chegada de um policial. Chegou e revistou toda a família e quando chegou a vez da menininha de chapéu ela deixou que a revistassem, nada podia escapar...terminada a revista ela olhou para o policial e perguntou:
_ E o meu chapéu? Não vai olhar debaixo do meu chapéu?
O policial olhou sério para ela e nada falou.
Quando ela terminava a história riamos muito. Hoje já o riso não é tão fácil, algo aperta a minha garganta, deve ser a saudade.
Deixei São Paulo há um tempo e junto ficou uma parte boa de minha vida com eles. Dona Steffi, já não está mais neste plano, definitivamente mora agora dentro do meu coração.
Dani, esta semana será seu aniversário e espero que goste de relembrar comigo um pouquinho dos bons tempos. Beijos e um super Parabéns!!
JULIANA CRUZ

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