domingo, 22 de janeiro de 2017

Padilha se transforma em 'escola do rock'

Retratos da filósofa francesa Simone de Beauvoir e da guitarrista e cantora norte-americana Margaret Garrett, da banda Mr. Airplane Man, decoram os corredores do imóvel construído em 1910 para abrigar o primeiro grupo escolar de Sorocaba, o Antonio Padilha, onde até hoje funciona como escola. Desde a última segunda-feira (16) até ontem, o antigo prédio da rua Cesário Mota, no Centro, foi transformado em uma espécie de "escola do rock" para receber a 5ª edição do projeto Girls Rock Camp.

Idealizado pela musicista e socióloga Flávia Biggs, o projeto, sem fins lucrativos, começou em 2013 e mantém o formato de acampamento diurno, no qual as participantes com idades entre 7 e 17 anos têm a chance de vivenciar a experiência completa no mundo da música.

Em cinco dias, as campistas aprendem a cantar ou tocar um instrumento (baixo, guitarra, bateria, ou teclado), formam uma banda e criam composições inéditas que, nesta edição, serão apresentadas ao público em um show ao vivo que ocorre hoje, a partir das 17h, no Asteroid (rua Aparecida, 737, Santa Rosália). Os ingressos custam R$ 10 e serão vendidos no local.

Protagonismo feminino

Formar uma banda de rock é apenas um detalhe do projeto, que segundo Flávia Biggs, tem como foco principal o fortalecimento dos laços de solidariedade entre as participantes, a promoção da autoestima, do empoderamento feminino e do protagonismo infantojuvenil das campistas. "A música é nosso pano de fundo. A gente usa a música como instrumento de empoderamento de meninas. Nosso ganho maior não necessariamente é o primor das músicas, mas a relação que é desenvolvida entre elas", comenta.


Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
Inspirado em iniciativas muito comuns nos Estados Unidos, o Girls Rock Camp é o pioneiro no Brasil e atrai participantes de várias partes do país. Para atender a grande demanda, o número de campistas, que nas edições anteriores era limitado em 60, saltou para 90 neste ano.

Sob a coordenação de Flávia, um exército de 75 voluntárias trabalha no auxílio e orientação às meninas que frequentam aulas básicas de instrumento, composição musical e prática de conjunto. A programação da semana ainda inclui atividades de skate, defesa pessoal e confecção de fanzine. Neste ano, acrescenta a coordenadora, foram acrescentadas oficinas de história das mulheres no rock, afrobrasilidades, ioga, ritmo e compasso e comunicação não violenta.

Anna Laura Felix Godoy, de 12 anos, conta que gostou tanto da experiências de tocar rock com guitarras distorcidas e fazer novas amizades que participa do acampamento pelo terceiro ano consecutivo. Segundo ela, desde que frequentou o Girls Rock Camp pela primeira vez, passou a se sentir mais segura e confiante, além de ter aumentado o seu interesse em aprender a tocar instrumentos musicais. "Ano que vem eu quero participar de novo", diz.

Moradora de São Paulo, Nina Nascimento Vassão, de 9 anos, escolheu a guitarra para integrar a banda Dark Panda, formada com as novas amigas, e não esconde a ansiedade de fazer sua primeira apresentação em um palco de verdade. "A gente já até fez as camisetas da banda para usar no show", revela.

Também da capital paulista, Luísa Rogério Seixas, de 7 anos, é responsável pelo baixo da mesma banda, cujo o refrão, composto coletivamente, segundo ela, ensina: "Não importa como você me vê/ e sim, como eu sou".

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