Retratos da filósofa francesa Simone de Beauvoir e da guitarrista e
cantora norte-americana Margaret Garrett, da banda Mr. Airplane Man,
decoram os corredores do imóvel construído em 1910 para abrigar o
primeiro grupo escolar de Sorocaba, o Antonio Padilha, onde até hoje
funciona como escola. Desde a última segunda-feira (16) até ontem, o
antigo prédio da rua Cesário Mota, no Centro, foi transformado em uma
espécie de "escola do rock" para receber a 5ª edição do projeto Girls
Rock Camp.
Idealizado pela musicista e socióloga Flávia Biggs, o
projeto, sem fins lucrativos, começou em 2013 e mantém o formato de
acampamento diurno, no qual as participantes com idades entre 7 e 17
anos têm a chance de vivenciar a experiência completa no mundo da
música.
Em cinco dias, as campistas aprendem a cantar ou tocar
um instrumento (baixo, guitarra, bateria, ou teclado), formam uma banda e
criam composições inéditas que, nesta edição, serão apresentadas ao
público em um show ao vivo que ocorre hoje, a partir das 17h, no
Asteroid (rua Aparecida, 737, Santa Rosália). Os ingressos custam R$ 10 e
serão vendidos no local.
Protagonismo feminino
Formar uma banda de rock é apenas um detalhe do projeto, que segundo
Flávia Biggs, tem como foco principal o fortalecimento dos laços de
solidariedade entre as participantes, a promoção da autoestima, do
empoderamento feminino e do protagonismo infantojuvenil das campistas.
"A música é nosso pano de fundo. A gente usa a música como instrumento
de empoderamento de meninas. Nosso ganho maior não necessariamente é o
primor das músicas, mas a relação que é desenvolvida entre elas",
comenta.
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
Inspirado em iniciativas muito comuns nos Estados
Unidos, o Girls Rock Camp é o pioneiro no Brasil e atrai participantes
de várias partes do país. Para atender a grande demanda, o número de
campistas, que nas edições anteriores era limitado em 60, saltou para 90
neste ano.
Sob a coordenação de Flávia, um exército de 75
voluntárias trabalha no auxílio e orientação às meninas que frequentam
aulas básicas de instrumento, composição musical e prática de conjunto. A
programação da semana ainda inclui atividades de skate, defesa pessoal e
confecção de fanzine. Neste ano, acrescenta a coordenadora, foram
acrescentadas oficinas de história das mulheres no rock,
afrobrasilidades, ioga, ritmo e compasso e comunicação não violenta.
Anna Laura Felix Godoy, de 12 anos, conta que gostou tanto da
experiências de tocar rock com guitarras distorcidas e fazer novas
amizades que participa do acampamento pelo terceiro ano consecutivo.
Segundo ela, desde que frequentou o Girls Rock Camp pela primeira vez,
passou a se sentir mais segura e confiante, além de ter aumentado o seu
interesse em aprender a tocar instrumentos musicais. "Ano que vem eu
quero participar de novo", diz.
Moradora de São Paulo, Nina
Nascimento Vassão, de 9 anos, escolheu a guitarra para integrar a banda
Dark Panda, formada com as novas amigas, e não esconde a ansiedade de
fazer sua primeira apresentação em um palco de verdade. "A gente já até
fez as camisetas da banda para usar no show", revela.
Também da
capital paulista, Luísa Rogério Seixas, de 7 anos, é responsável pelo
baixo da mesma banda, cujo o refrão, composto coletivamente, segundo
ela, ensina: "Não importa como você me vê/ e sim, como eu sou".
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