segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
Comerciantes de rua resistem à concorrência
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
Não é só o comércio de rua do famoso bairro de Ipanema, no Rio, que perde vendas para o comércio eletrônico e as lojas instaladas nos shoppings. Esse fenômeno, divulgado na semana passada em noticiário da Globo News, se repete em outras regiões do Brasil. E em Sorocaba também. A novidade é que, em Sorocaba, muitos comerciantes que têm lojas nas ruas, em vez de se renderem ao impacto da concorrência da internet e dos shoppings, reagiram e passaram a investir também em comodidade e segurança para manter os clientes já conquistados e atrair os novos.
Dependendo dos segmentos em que atuam, os comerciantes de rua modernizam as lojas, ofereceram estacionamentos próprios ou por meio de convênios e não abrem mão da água, do tradicional cafezinho e do ar-condicionado nesses dias de calor. Além disso, apostam em "armas" atrativas como a inserção do nome da loja e do proprietário no mercado, o know-how (conjunto de conhecimentos práticos) e a tradição de décadas.
A assessora de planejamento e controle Luciane Braido foi na última quarta-feira a uma ótica da rua da Penha, no centro de Sorocaba. "No Centro eu quase nunca venho." Foi desta vez porque precisava comprar óculos e a referida ótica atende a família há muitos anos. O proprietário da ótica, Itamar Murilo Gonçalves, tem loja na rua da Penha há 34 anos.
Luciane também compra pela internet. Sua última aquisição foi um conjunto de panelas. Calcula que economizou R$ 300 e essa é sua motivação para usar o comércio eletrônico: "É mais barato. Compro tudo pela internet, até sapatilha." Em comparação com o Centro, ela prefere o shopping por causa da segurança: "Aqui (no Centro) eu tenho que ficar preocupada com a bolsa."
"Faz tempo que não venho ao Centro", também disse a autônoma Nanci Lúcia de Camargo Almeida. Na sua família, compras pela internet são frequentes. E ela enumera as vantagens: "Facilidade de passar o cartão, comodidade e preço." No centro da cidade, considera que a dificuldade para estacionar é uma "complicação".
"Cliente quer conforto"
Atentos às vantagens da concorrência, os lojistas do Centro procuram "descomplicar" a vida dos clientes. O comerciante Francisco Pessini, o Chico, dono de loja especializada em vestuário masculino, oferece dois estacionamentos conveniados na rua da Penha, além de ar-condicionado e ajustes nas peças. "O cliente quer conforto. São pequenos detalhes, mas ajudam."
Além do mais, Chico tem outros aliados na competição com a concorrência da internet e dos shoppings: "Roupa é detalhe, depende de tecido, qualidade. Perder para o shopping? De jeito nenhum. Vendo camisas que o shopping vende, a mesma marca." Também garante que não perde para a concorrência da internet. Nos seus cálculos, a venda não cresceu em 2016 mas foi suficiente para estabilizar.
Em relação aos produtos vendidos na internet, ele compara: "Roupa é completamente diferente." Segundo o comerciante, há camisas e camisetas que, embora da mesma classificação de tamanho, apresentam linhas e contornos diferentes. Nesses casos, o jeito é experimentar a roupa antes de comprar.
Da mesma forma, o segmento onde Itamar atual contém uma "complexidade" que requer o contato pessoal do cliente com o vendedor. A escolha dos óculos envolve medições e ajustes no rosto e isso só pode ser feito pessoalmente.
No entanto, ele admite que a internet leva vantagem na venda de óculos de sol, o que afetou "bastante" as óticas de rua. Nos óculos de graus, acompanhados de receitas médicas, há casos em que o cliente surge com a armação, adquirida via internet, e solicita o complemento com as lentes. "E tenho café expresso, tenho água, balas de café, pirulito, tudo isso são atrativos que fazem a diferença."
Itamar também vê sinais positivos na geografia das ruas. Segundo ele, às sextas e sábados o centro de Sorocaba tem recebido movimentação maior de pessoas. Acredita que muitas estão "fugindo" dos shoppings em busca de produtos de qualidade e que sejam mais baratos.
As ruas também são endereços de algumas lojas de franquias de marca, que se somam às lojas existentes nos shoppings. Esse comportamento demonstra que as franquias reconhecem a importância desse tipo de comércio.
Na contramão dos exemplos positivos, porém, basta uma caminhada nas vias comercias ara deparar com algumas portas de estabelecimentos fechados. São endereços que abrigavam lojas que foram desativadas ou mudaram de endereço por conta de custos. E ficam como termômetros da crise que castiga o Brasil.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário