segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O marido de uma amiga me cantou. O que eu faço?

Fonte: Revista Marie Claire Aqui

Meninas, que tal 2017? Na caixa, o ano novo começou velhíssimo, com as questões que tocam a surrada canalhice humana (sobretudo, a masculina).
Escreve a leitora:
“João, foi logo depois do Natal, numa dessas festas em que a gente bebe um monte, os amigos se reúnem etc. O marido de uma amiga (ela não é minha melhor amiga, mas é amiga) chegou perto de mim na cozinha da casa em que estávamos hospedados e me chamou pra dar uma volta. Eu estranhei, disse que não podia, e ele insistiu assim:
– Mas quando, então? Porque eu venho querendo dar uma volta com você faz muito tempo, você bem sabe…
Gelei. Fiquei completamente sem fala, João. Eu sempre desconfiei de uma olhadas que ele me dava, mas como eu era casada, a coisa nunca passou muito disso. Agora que separei, ele veio… Com uma bruta cara de pau. E sem medo nenhum de ser descoberto…
Fiquei fula da vida. Perguntei a ele sobre a minha amiga, ele disse que o assunto dele era só comigo, fiquei de novo sem reação, dei um corte nele e saí. Evitei o cara a noite toda. No dia seguinte ele ainda me deu umas piscadas…
Enfim, o que fazer? O ponto é que não tenho provas. E sei que às vezes as pessoas recebem essas notícias desconfiando de quem dá a notícia. Mas sinto que devo fazer algo… Arrisco? Como dizer a ela?”
A SUSTENTÁVEL CANALHICE DO SER

Ah, moças, as troglodices que arrasam a reputação de toda uma raça… A verdade é que a experiência aí de cima não é das mais incomuns. Conheço caras que se não fizeram, já quiseram fazer o mesmo do que o bocó aí do alto. Uma segunda verdade é que circula por todo canto muita gente que se enrosca em relacionamentos como um hábito egoísta e vazio, uma salvaguarda contra a solidão infinita que está colada em cada um de nós. É como se o casal formado por esse tipo de gente não existisse, fosse apenas um acordo, uma lâmpada acesa à noite pra aliviar nosso medo do escuro.
Essa gente não entende nada de nada, vive a vida mais ou menos, a vida baseada em ser 50% de tudo.
Essa gente, meninas, é numerosíssima.
É preciso combater essa gente.

Obviamente, entendo o receio da leitora. É uma notícia complicada e muita gente que vive com um canalha tem em si uma fatia também canalha, porém passiva. É como se houvesse outro 50% de gente capaz de tolerar, abraçar e cuidar dos canalhas por encontrar aí uma outra forma de se salvar da infinita solidão de todos nós.
Todo canalha encontra a sua metade.
Ou seja, é dose.
Mas eu acho que viver a 100% não é fácil e não é para todos. E acho também que temos uma responsabilidade nessa nossa caminhada do berço ao túmulo. Acho que nunca vale calar diante de certos tipos de sacanagens. Nunca vale calar diante de certos sacanas. Calar é abraçar as sacanagens que fazem mal.
A história da leitora acima é uma dessas sacanagens.
Conte pra sua amiga. Fala com ela. Se der, conta antes pra algum amigo ou amiga em comum. Estuda a melhor forma, o melhor momento de dividir a bomba. Mas diga, diga sim.
E se a sua amiga, a mulher do pateta, defender o pateta, pateta ela será.

Meninas, 2017 tá aí com tudo. Não depende só de nós viver um ano melhor. Nunca depende. Mas também depende.
Fala com ela.

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