Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
A duas semanas do Carnaval, apenas o
bloco Depois a Gente Se Vira está confirmado para sair às ruas de
Sorocaba. Os blocos Apareceu Aparecida e o recém-criado Sem Grana, mas
com Gliter pretendem levar a folia pelos ruas do bairro Santa Rosália,
mas ainda dependem de autorização da Polícia Militar e da Urbes -
Trânsito e Transporte. Já o desfile do Bloco do Quilombinho, segundo
Luiza Alves, ainda não está confirmado, mas já tem autorização da Urbes.
Conforme ela, a definição sairá amanhã. De qualquer forma, o
Quilombinho contará com festa carnavalesca no sábado, dia 25, a partir
das 14h. Maracatu e samba vão embalar a tarde em frente à sede da
instituição, que fica na rua Caramuru, 203.
Diferentemente das escolas de samba, que farão desfiles no dia
26 (domingo), no Parque das Águas, com apoio da Secretaria de Cultura
(Secult), nenhum bloco da cidade receberá qualquer tipo de suporte da
prefeitura.
O Bloco Soviético - Célula Sorocaba, caracterizado por fazer
críticas políticas de maneira irreverente, decidiu cancelar o desfile
pela primeira vez, desde que foi fundado em 2014. De acordo com William
Alves, um dos fundadores do bloco, o desfile não ocorrerá porque os
organizadores não tiveram tempo hábil para mobilizar os foliões para os
ensaios.
O tradicional bloco do Depois, que está completando 31 carnavais,
sairá às ruas no dia 24 de fevereiro e vai homenagear o historiador
sorocabano Adolfo Frioli. A concentração será às 19h, em frente ao
Anastácia Bar, na avenida Eugênio Salerno e o desfile deve sair às 22h
com destino à praça Frei Baraúna. Em seguida, haverá um baile na
Sociedade Cultural e Beneficente 28 de Setembro (rua Machado de Assis,
112).
Criado com a proposta de ser uma alternativa aos sambas e
marchinhas, o bloco Apareceu Aparecida estreou no Carnaval de 2016
levando para as ruas mais de 2.500 amantes do rock e pretende repetir a
dose neste ano, no dia 27, mas a realização do evento em vias públicas
depende de autorização da Polícia Militar e da Urbes. De acordo com o
publicitário Tiago Oliveira, que é um dos fundadores do bloco, uma
reunião convocada pelo 7º Batalhão da Polícia Militar foi realizada no
último 2 e contou com representantes da Urbes, Secult e do Conselho
Tutelar. Oliveira assinala que a ideia inicial era repetir o percurso do
ano passado (saindo da rua Mascarenhas Camelo com dispersão na rua
Aparecida), mas a proposta foi vetada pela Urbes. "Agora nós elaboramos
outras quatro opções de trajeto, inclusive ainda mais curtos, e vamos
apresentar em uma nova reunião [com a PM e CGM] nos próximos dias",
disse. Caso nenhum dos percursos propostos seja aprovado, Oliveira
garante que mesmo assim o bloco realizará uma festa para não deixar os
foliões desamparados. "Vamos fazer de qualquer jeito, para não perder
força, mas no ano que vem a nossa ideia é fazer algo bem maior, com
várias festas ao longo do ano para divulgar e arrecadar recursos",
detalha.
O impasse acerca da autorização de fechamento das vias públicas
também afeta a definição do desfile do bloco Sem Grana, mas com Gliter,
criado neste ano pelos amigos Ana Beatriz Haiala, Diego Mateus e José
Augusto, o Kiko, com intuito de celebrar a união de jovens ligados a
movimentos culturais independentes, bem como à comunidade LGBT. A
proposta inicial apresentada pelo grupo, também vetada na reunião com a
PM, era de desfilar na noite do dia 24 (sexta), concentrando os foliões
no Parque Kassato Maru, no Campolim, e seguindo até a dispersão na Rua
Aparecida. Ana Beatriz conta que a justificativa das autoridades para
negar a autorização do desfile é a de que o trajeto seria muito longo e
causaria grande impacto no trânsito da cidade.
A nova
proposta, que deverá ser formalizada durante a semana, é que a
concentração ocorra no Parque das Águas, no Jardim Abaeté. "Ocupar os
espaços públicos é um direito das pessoas, mas a gente sente muita
resistência", comenta Ana Beatriz, citando que a expectativa é que o
novo bloco reúna entre 500 a 1.200 pessoas. A série de exigências para
colocar o bloco na rua, que vão desde a aprovação do itinerário até a
contratação de seguranças privados, fez com a diretoria do Bloco do Boca
decidisse, pelo quarto ano consecutivo, limitar suas atividades em uma
feijoada em espaço fechado.
A festa ocorre no próximo
domingo (19) no Lar Escola Monteiro Lobato e todos os 1.500 ingressos já
foram vendidos. Presidente do bloco que chegou a levar mais de 20 mil
pessoas às ruas da cidade, o empresário e publicitário Marcos Baleeiro
afirma que tem desejo de retomar os desfiles futuramente. "A gente tem
muita vontade, mas paramos por falta de apoio da prefeitura, porque ela
transferiu toda responsabilidade civil e criminal do evento para a
diretoria do bloco. Isso fica inviável", afirmou, dizendo acreditar que
essa postura seja revista na gestão do prefeito José Crespo (DEM). "Para
esse ano a gente nem tentou conversar porque não haveria tempo hábil,
mas queremos retomar o Carnaval de rua no ano que vem", defende
Baleeiro.
Secult diz não estar preocupada com Carnaval de massas
A informação de que, por enquanto, somente o bloco do Depois a Gente Se
Vira participará do Carnaval de Rua em Sorocaba foi confirmada pelo
secretário de Cultura, Werinton Kermes, que prometeu que a pasta vai
instalar banheiros químicos durante o trajeto. Em entrevista coletiva
concedida na última sexta-feira (10) para anunciar a programação de
Carnaval, Kermes declarou que nenhum outro representante de bloco o
procurou para pedir apoio na realização dos desfiles. Entretanto, Ana
Beatriz Haiala, fundadora do bloco Sem Grana, mas com Gliter, diz que
tentou entrar em contato com a Secult em janeiro, mas, por telefone, foi
orientada a formalizar o pedido a um capitão da PM, que atua como chefe
de seção operacional.
Na coletiva, Kermes disse que
grupos interessados em formar blocos carnavalescos para sair às ruas
devem "antes de mais nada, procurar o departamento de trânsito", no caso
a Urbes, para obter autorização. "Aprovando, e se houver necessidade, a
Secult pode apoiar cedendo carro de som e banheiros", disse. Kermes
assinalou ainda que a sua gestão não está preocupada em apoiar o que
chamou de "Carnaval de massas" -- em referência aos blocos que levam
grande público --, lembrando de casos de abuso do uso de álcool por
jovens e adolescentes no Carnaval de 2013, no Campolim. "São exemplos
passados para que não volte acontecer. É fácil criar alguma coisa, mas a
responsabilidade tem que ser no mínimo dividida", defendeu.
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