Fonte:G1
De Mariza Tavares
O que se diz é que uma foto vale por mil palavras, mas, no caso da fotógrafa americana Cindy Sherman, isso chega a um outro patamar: suas obras já foram arrematadas em leilões por milhões de dólares! Em 40 anos de uma trajetória tão expressiva quanto particular, Cindy foi sua própria modelo: seu estúdio em Nova York é abarrotado de maquiagem, perucas e até narizes e seios postiços que usou para compor os personagens. Com frequência o resultado dessas imagens sobre o papel da mulher na sociedade contemporânea é bizarro e perturbador.
De Mariza Tavares
O que se diz é que uma foto vale por mil palavras, mas, no caso da fotógrafa americana Cindy Sherman, isso chega a um outro patamar: suas obras já foram arrematadas em leilões por milhões de dólares! Em 40 anos de uma trajetória tão expressiva quanto particular, Cindy foi sua própria modelo: seu estúdio em Nova York é abarrotado de maquiagem, perucas e até narizes e seios postiços que usou para compor os personagens. Com frequência o resultado dessas imagens sobre o papel da mulher na sociedade contemporânea é bizarro e perturbador.
Seu processo de criação sempre foi de longas “gestações” para trabalhar insights e reflexões. Desde 2012
Cindy se encontrava numa espécie de período sabático, mas em 2016
lançou uma nova série, que agora vem percorrendo o mundo – até março, a
exposição estará na Nova Zelândia. Não por acaso, o tema central das
fotos é o envelhecimento: a artista completou 63 anos em janeiro. Desta
vez ela incorpora divas hollywoodianas da década de 1920.
Ao
longo da carreira, a camaleônica Cindy sempre declarou que os retratos
não eram autobiográficos. No entanto, a fase atual é mais explicitamente
sobre ela, e sobre o efeito do envelhecimento. A artista criou
“avatares” de divas do cinema, como Greta Garbo, Bette Davis e Gloria
Swanson, descrevendo-as como sobreviventes para o jornal “The New York
Times”: “você olha para elas e vê que passaram por muita coisa. Você
enxerga a dor, mas elas continuam se movimentando e seguindo adiante”. A
experiência de perda também é sua, que diz que ainda está se debatendo
com a realidade de ser uma mulher velha. Para o britânico “The
Guardian”, declarou: “o mais inquietante não é ver mais rugas no meu
rosto, mas constatar que o leque de possibilidades diminuiu. Posso me
fazer passar por alguém com 100 anos, mas não mais por alguém com menos
de 50”.
Suas
fotos mostraram o narcisismo e a cultura da celebridade, mas também
como a mídia retrata a mulher. Na nova leva de trabalhos, constata que
está tentando preencher uma lacuna: “na verdade, você não vê muitos
retratos de mulheres mais velhas, assim como elas também não estão
presentes na moda e no cinema. O que faço é parte disso”. Cindy já
participou duas vezes da Bienal de Veneza e tem obras nos principais
museus do mundo. Esse ícone da cultura pop diz
que envelhecer tem sido também libertador, pelo menos do ponto de vista
amoroso, porque estar solteira não a incomoda mais. “Fiz escolhas muito
ruins no passado, pena que não fui para a terapia antes”, resumiu numa
de suas últimas entrevistas.
Foto: Untitled #565, 2016
Crédito obrigatório: cortesia da artista e da Galeria Metro Pictures, New York

Nenhum comentário:
Postar um comentário