sábado, 11 de fevereiro de 2017

Na Pátria Educadora...

 

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

1.600 alunos da rede estadual estão sem transporte escolar

 Aproximadamente 1.600 alunos de até 12 anos de idade, do ensino fundamental e médio da rede estadual, estão sem transporte escolar em Sorocaba. São 16 escolas afetadas. O problema, que nesta sexta-feira (10) provocou um protesto de pais de alunos na região norte da cidade, segundo informações da Secretaria de Educação do Estado, acontece pois a empresa vencedora no processo licitatório, que tem sede em Campinas, ainda não apresentou os veículos necessários para a realização do serviço nem estabeleceu garagem na cidade. A empresa ainda precisa, até o dia 23, solicitar inscrição junto à Urbes - Trânsito e Transporte para fazer transporte escolar na cidade. A empresa credenciada é a CM de Souza Transportes. A reportagem tentou várias vezes contatos telefônicos, mas sem êxito.

De acordo com a Diretoria de Ensino da Região de Sorocaba, a empresa também não teria a quantidade e o tipo de veículos exigidos. O contrato seria no valor de R$ 700 mil por mês e uma nova contratação emergencial foi aberta. Os alunos prejudicados não ficarão com falta e o conteúdo ministrado nas aulas será reposto, promete a Diretoria de Ensino.

O dirigente regional de ensino Marco Aurélio Bugni, explicou, por telefone, que o convênio com o Estado foi cancelado pela Prefeitura em meados do ano passado, fazendo com que o Estado se responsabilizasse pelo transporte dos seus alunos. Na época a Auto Ônibus São João assumiu emergencialmente o serviço até o fim do ano letivo de 2016.

Paralelo a isso foi aberto um pregão, tendo a empresa CM de Souza Transportes sido declarada vencedora em dezembro. O processo foi homologado em janeiro para que o serviço se iniciasse em 2 de fevereiro, quando começou o ano letivo de 2017. Segundo soube Bugni, a empresa campineira poderia disponibilizar 30 kombis, quando o edital exigia 76 veículos, sendo 31 ônibus; 12 micro-ônibus e 33 vans. 

 Contratação emergencial

Bugni disse que no último dia 2 foi aberta uma nova contratação emergencial, mas nenhuma das empresas quiz se habilitar sem a garantia de permanência já que a CM de Souza Transportes tem até o próximo dia 23 para se apresentar, e o pregão lhe confere prorrogação de até cinco anos do contrato. Entretanto, o dirigente já atentou que a empresa sofrerá as punições vigentes no processo licitatório por não apresentar os veículos no início das aulas.

Vale frisar que a empresa tem até o dia 23 para apresentar a documentação, porque é quando completa um mês da homologação, tendo ainda, de acordo com as regras do edital, mais cinco dias para iniciar o serviço.

A dificuldade em conseguir uma empresa para o atendimento emergencial, é confirmada pelo diretor da Auto Ônibus São João, Marco Franco, que informou à reportagem, por telefone, que se dispõe a atender emergencialmente o Estado, nos mesmos valores da empresa vencedora. A exigência do empresário é que a Secretaria de Educação do Estado garanta a permanência do serviço, uma vez que teria que aplicar recursos na contratação de motoristas e monitores para efetuar o serviço.

Pedido de ajuda

Na tentativa de sanar o impasse, o dirigente disse recorrer à Urbes para tentar formar, temporariamente, um grupo de empresas e permitir com que os estudantes comecem a frequentar as aulas.

A Urbes informou porém que a Diretoria de Ensino entrou em contato via e-mail na tarde da última quarta-feira (dia 8) solicitando uma reunião para tratar do assunto, e que foi informada sobre a situação em um contato telefônico, mas que desconhece o pedido vindo a Regional de Ensino referente a montar um pool de empresas. Entretanto, a Urbes avalia a possibilidade de absorver esses alunos nas linhas do transporte coletivo urbano regular.
Pais protestam pedindo a volta do serviço
A falta de transporte escolar para estudantes do ensino fundamental e médio da rede estadual de Sorocaba, fez com que pais de alunos protestassem nesta sexta (10)no Jardim Marly, divisa com o bairro Jacutinga, na zona norte da cidade, impedindo que ônibus do transporte municipal deixassem o bairro. Para isso atearam fogo em pneus e madeiras na divisa da rua Eugênio de Oliveira Cirne e a estrada do Jacutinga, também conhecida como travessa Sete. Uma nova manifestação não está descartada para esta segunda-feira, quando pretendem fechar a avenida Ipanema.

De acordo com os manifestantes, sem o serviço de transporte escolar fica inviável enviar os filhos para as escolas por meio das linhas de ônibus regulares, e os motivos são vários, desde a diferença de horários, bem como pela distância de se chegar aos pontos dos coletivos.

A dona de casa Andreia Camargo Vaz, residente no bairro Jacutinga, explicou que sem o transporte escolar precisa sair da sua casa às 5h40, para que seus filhos possam pegar o ônibus de linha às 6h15. Com esse ônibus eles vão chegar na escola, na Vila Helena, por volta das 6h30, permanecendo na rua até às 7h, quando é aberta a unidade de ensino.

Ela também lembra que, em dias de chuva, a situação fica ainda pior, tanto para as crianças na rua à espera de entrar na escola, como para chegarem até o ponto de ônibus do transporte municipal, sendo que os coletivos então não conseguiriam entrar no bairro Jacutinga. Outra mãe, Darlene Regina Rebellato, falou também que os ônibus contratados para o transporte escolar passam próximo das casas dos alunos.

Outra manifestante, Rosemary do Nascimento, falou que se até segunda-feira não houver uma definição, um novo protesto não está descartado. A manifestação de ontem terminou ainda no período da manhã, após negociação com a Polícia Militar e Guarda Civil Municipal.



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