Na Pátria Educadora...
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
1.600 alunos da rede estadual estão sem transporte escolar
Aproximadamente 1.600 alunos de até 12 anos de idade, do ensino
fundamental e médio da rede estadual, estão sem transporte escolar em
Sorocaba. São 16 escolas afetadas. O problema, que nesta sexta-feira
(10) provocou um protesto de pais de alunos na região norte da cidade,
segundo informações da Secretaria de Educação do Estado, acontece pois a
empresa vencedora no processo licitatório, que tem sede em Campinas,
ainda não apresentou os veículos necessários para a realização do
serviço nem estabeleceu garagem na cidade. A empresa ainda precisa, até o
dia 23, solicitar inscrição junto à Urbes - Trânsito e Transporte para
fazer transporte escolar na cidade. A empresa credenciada é a CM de
Souza Transportes. A reportagem tentou várias vezes contatos
telefônicos, mas sem êxito.
De acordo com a Diretoria de Ensino da Região de Sorocaba, a empresa
também não teria a quantidade e o tipo de veículos exigidos. O contrato
seria no valor de R$ 700 mil por mês e uma nova contratação emergencial
foi aberta. Os alunos prejudicados não ficarão com falta e o conteúdo
ministrado nas aulas será reposto, promete a Diretoria de Ensino.
O dirigente regional de ensino Marco Aurélio Bugni, explicou, por
telefone, que o convênio com o Estado foi cancelado pela Prefeitura em
meados do ano passado, fazendo com que o Estado se responsabilizasse
pelo transporte dos seus alunos. Na época a Auto Ônibus São João assumiu
emergencialmente o serviço até o fim do ano letivo de 2016.
Paralelo a isso foi aberto um pregão, tendo a empresa CM de Souza
Transportes sido declarada vencedora em dezembro. O processo foi
homologado em janeiro para que o serviço se iniciasse em 2 de fevereiro,
quando começou o ano letivo de 2017. Segundo soube Bugni, a empresa
campineira poderia disponibilizar 30 kombis, quando o edital exigia 76
veículos, sendo 31 ônibus; 12 micro-ônibus e 33 vans.
Contratação emergencial
Bugni disse que no último dia 2 foi aberta uma nova contratação
emergencial, mas nenhuma das empresas quiz se habilitar sem a garantia
de permanência já que a CM de Souza Transportes tem até o próximo dia 23
para se apresentar, e o pregão lhe confere prorrogação de até cinco
anos do contrato. Entretanto, o dirigente já atentou que a empresa
sofrerá as punições vigentes no processo licitatório por não apresentar
os veículos no início das aulas.
Vale frisar que a empresa tem até o dia 23 para apresentar a
documentação, porque é quando completa um mês da homologação, tendo
ainda, de acordo com as regras do edital, mais cinco dias para iniciar o
serviço.
A dificuldade em conseguir uma empresa para o atendimento
emergencial, é confirmada pelo diretor da Auto Ônibus São João, Marco
Franco, que informou à reportagem, por telefone, que se dispõe a atender
emergencialmente o Estado, nos mesmos valores da empresa vencedora. A
exigência do empresário é que a Secretaria de Educação do Estado garanta
a permanência do serviço, uma vez que teria que aplicar recursos na
contratação de motoristas e monitores para efetuar o serviço.
Pedido de ajuda
Na tentativa de sanar o impasse, o dirigente disse recorrer à Urbes
para tentar formar, temporariamente, um grupo de empresas e permitir com
que os estudantes comecem a frequentar as aulas.
A Urbes informou porém que a Diretoria de Ensino entrou em contato
via e-mail na tarde da última quarta-feira (dia 8) solicitando uma
reunião para tratar do assunto, e que foi informada sobre a situação em
um contato telefônico, mas que desconhece o pedido vindo a Regional de
Ensino referente a montar um pool de empresas. Entretanto, a Urbes
avalia a possibilidade de absorver esses alunos nas linhas do transporte
coletivo urbano regular.
Pais protestam pedindo a volta do serviço
A falta de transporte escolar para estudantes do ensino fundamental e
médio da rede estadual de Sorocaba, fez com que pais de alunos
protestassem nesta sexta (10)no Jardim Marly, divisa com o bairro
Jacutinga, na zona norte da cidade, impedindo que ônibus do transporte
municipal deixassem o bairro. Para isso atearam fogo em pneus e madeiras
na divisa da rua Eugênio de Oliveira Cirne e a estrada do Jacutinga,
também conhecida como travessa Sete. Uma nova manifestação não está
descartada para esta segunda-feira, quando pretendem fechar a avenida
Ipanema.
De acordo com os manifestantes, sem o serviço de transporte escolar fica
inviável enviar os filhos para as escolas por meio das linhas de ônibus
regulares, e os motivos são vários, desde a diferença de horários, bem
como pela distância de se chegar aos pontos dos coletivos.
A dona de casa Andreia Camargo Vaz, residente no bairro Jacutinga,
explicou que sem o transporte escolar precisa sair da sua casa às 5h40,
para que seus filhos possam pegar o ônibus de linha às 6h15. Com esse
ônibus eles vão chegar na escola, na Vila Helena, por volta das 6h30,
permanecendo na rua até às 7h, quando é aberta a unidade de ensino.
Ela também lembra que, em dias de chuva, a situação fica ainda pior,
tanto para as crianças na rua à espera de entrar na escola, como para
chegarem até o ponto de ônibus do transporte municipal, sendo que os
coletivos então não conseguiriam entrar no bairro Jacutinga. Outra mãe,
Darlene Regina Rebellato, falou também que os ônibus contratados para o
transporte escolar passam próximo das casas dos alunos.
Outra manifestante, Rosemary do Nascimento, falou que se até
segunda-feira não houver uma definição, um novo protesto não está
descartado. A manifestação de ontem terminou ainda no período da manhã,
após negociação com a Polícia Militar e Guarda Civil Municipal.
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