domingo, 19 de fevereiro de 2017

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Fonte:Jornal Cruzeiro do Sul

Fim do ensino integral vai atingir turmas de 33 creches

 Após a Secretaria de Educação de Sorocaba (Sedu) emitir, na tarde da última quinta-feira, circular para creches da rede municipal comunicando a suspensão do funcionamento em tempo integral a partir da próxima segunda-feira, a secretária de Educação de Sorocaba, Marta Cassar, disse em coletiva de imprensa realizada na manhã de ontem que a medida atinge turmas de 33 unidades, do total de 89. Na coletiva, a secretária afirmou que 1.300 crianças seriam afetadas (10% do total de 13 mil). Já à tarde, nota oficial da Prefeitura apresentou outros números, dizendo que são 7,3% do total (949 crianças). A lista com o nome das unidades que sofrerão alteração pode ser conferida ao lado. Porém, para saber quais turmas dessas unidades serão dispensadas mais cedo, os pais precisam se dirigir até a creche na segunda-feira, justamente no dia em que será implantada a mudança. Além de Marta, participaram da coletiva também Rodrigo Moreno, titular da Secretaria de Recursos Humanos, e Eloy de Oliveira, secretário de Comunicação e Eventos. O prefeito José Crespo (DEM) não compareceu.

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Durante a coletiva, Marta disse que a medida foi tomada por conta do déficit de auxiliares de educação e que são necessários ao menos 150 profissionais para que todas as unidades atendam em período integral. Segundo Moreno, a circular foi enviada somente na tarde de quinta-feira porque até então ainda era estudado como ficariam distribuídos o total de 1.450 auxiliares contratados atualmente. "Ficamos estudando como minimizar o problema, por isso o aviso demorou a ser feito." No total, 13 mil crianças estão matriculadas nas creches municipais.

No ano passado, afirmou a secretária de Educação, eram 357 turmas atendidas em período integral e atualmente são 400 turmas. Esse aumento, disse, ocorreu por conta da contratação de 11 professores a um custo de R$ 479.400 ao ano e 14 auxiliares a um custo de R$ 290.004. Além desses profissionais, foram contratados em fevereiro 177 estagiários para trabalhar nas creches, com investimento de R$ 1,2 milhão ao ano.

Marta afirma que o déficit de profissionais começou em 2014, na gestão de Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) e que desde o dia 2 de janeiro a pasta trabalha para manter o período integral no maior número de unidades possíveis. Desde o último dia 8, quando as aulas da rede municipal tiveram início, devido ao período de adaptação, os alunos estavam sendo dispensados às 13h. Na segunda-feira (20), o horário retornaria ao período integral, ou seja, das 7h às 17h. Todas as crianças foram matriculadas para frequentarem a creche durante todo o dia e os pais foram surpreendidos com a circular faltando um dia para a retomada do expediente normal.

Fim do ensino integral vai atingir turmas de 33 creches

"Problema social"


A secretária de Educação afirmou ainda que as turmas do período semi-integral -- das 8h às 12h30 -- cumprirão totalmente seu papel pedagógico e disse compreender a situação dos pais que precisam dos filhos matriculados em período integral, "mas isso trata-se de um problema social e não pedagógico". Segundo Marta, todos os pais que matricularam os filhos tinham a expectativa de que as crianças ficassem nas unidades durante todo o dia, mas que devido à situação financeira, isso é inviável. Ontem mesmo muitas mães, revoltadas, começaram a distribuir mensagens nas redes sociais marcando para segunda-feira, às 8h, no Paço, um protesto contra a medida.

Além dos cerca de 1.300 alunos (ou 949, já que as duas versões da Prefeitura são conflitantes) que ficarão sem o ensino integral, Marta disse também que turmas podem ser dispensadas eventualmente caso seja registrada falta de auxiliar de educação, pois esse profissional não é substituído. Segundo a Sedu, caso a unidade esteja com o quadro de auxiliares reduzido, a turma será atendida normalmente até as 13h e depois disso os responsáveis terão que buscar a criança na escola, mesmo ela estando matriculada integralmente. A Prefeitura promete resolver o problema em cerca de quatro meses.

Responsabilidades

Para justificar o problema com auxiliares de educação, a secretária apontou o alto índice de absenteísmo (ausência ao trabalho) na rede municipal de ensino. Segundo dados divulgados pela Sedu, de 10 de janeiro de 2016 até ontem foram 11.017 atestados apresentados à pasta. Desse total, 1.209 são de auxiliares de educação. "Na média, cada auxiliar faltou 15 dias", afirmou o secretário de Comunicação e Eventos, Eloy de Oliveira. A redução da jornada de trabalho dos professores de 8 horas para 6 horas, em vigor desde 2014, segundo Moreno, também foi um fator determinante para que se chegasse à atual situação. A alteração implicou em novas contratações de profissionais para atender aos alunos e isso, consequentemente, aumentou a folha de pagamento.

Gestão anterior

A secretária de Educação afirmou durante a coletiva de imprensa que "a falta de planejamento da gestão anterior, que não contratou no tempo devido os auxiliares de educação necessários para o funcionamento das unidades em período integral", também deve ser levado em conta. Segundo Moreno, a Prefeitura prolongou também o prazo dos concursos públicos para auxiliares de educação e está tomando providências para a convocação desses profissionais, porém, não há data definida para que isso ocorra.

Para rebater as "acusações" feitas pela gestão de Crespo, João Leandro (PSDB), que foi secretário de Governo de Pannunzio, afirmou durante entrevista à Cruzeiro FM 92,3 que em 2016 cerca de 300 auxiliares foram convocados e que esses profissionais foram distribuídos nas unidades para sanar qualquer deficiência. "Durante a campanha ele afirmava que dinheiro e estrutura tinham, mas faltava competência. Agora que está no poder ele só atribui culpas ao Pannunzio", disse o tucano.

Durante a campanha eleitoral, José Crespo falou mais de uma vez que garantiria o ensino integral em Sorocaba. "No nosso plano de governo, também temos o compromisso de implantar o ensino tempo integral em todas as escolas, dentro dos muros de cada escola. Por sinal, nove horas de atividades, não apenas a tabuada como é tradicional, mas também esportes, ciências, artes, música, dentro da escola, para proteger essas crianças, porque de outra forma, ficariam nas ruas sujeitas a maus elementos, até o tráfico de drogas." Veja no vídeo abaixo:




Ensino fundamental será atingido


Das 49 escolas de ensino fundamental da rede municipal de Sorocaba, atualmente apenas 17 possuem ensino integral. Segundo a Sedu, alunos novos dessas 17 unidades ficarão na escola apenas no período semi-integral, pois a pasta faz uma reformulação. De acordo com a pasta, em 2016, 4.145 alunos, do 1º ao 5º ano, estavam matriculados em tempo integral. Neste ano, por conta de dificuldades financeiras, 1.249 crianças permaneceram o dia todo na escola, o que representa uma redução de 60%. Segundo Marta Cassar, secretária de Educação, Sorocaba tem até o ano de 2.025 para implantar o ensino integral em todas as unidades de educação e disse que os alunos não serão prejudicados.

Esse tema passaria despercebido durante a coletiva de imprensa realizada na manhã de ontem no salão de vidro do Paço, porém, um grupo de pais se reuniu e participou da reunião. Ao abrir a rodada de perguntas para a imprensa, Maria do Carmo de Moraes, 40, mãe de um aluno do 2º ano do fundamental na escola Julica Bierrenbach, no bairro Árvore Grande, disse que o filho foi matriculado para estudar em período integral, mas ao retornar às aulas a diretora da escola informou que isso estaria suspenso por falta de verba. Ela questionou a secretária de Educação e foi informada que isso tratava-se de outro problema, que seria debatido em uma reunião fechada com os pais.

Eloy Oliveira, secretário de Comunicação e Eventos, disse à Maria do Carmo que o tema sobre as escolas de ensino fundamental não seria comentado na coletiva de imprensa e que a mulher deveria aguardar a reunião. Questionados sobre o problema apontado pela mãe, a Sedu informou que nas 17 escolas que já tinham ensino integral, os pais fizeram matrículas com a expectativa de que todos os alunos fossem atendidos dessa forma, mas por falta também de auxiliares e da necessidade de revisão das atividades desenvolvidas no turno da tarde, os novos alunos, por hora, estudarão apenas meio período. "Vamos resolver isso o quanto antes", disse o secretário.

Em contato com a Sedu, a pasta informou que neste ano cerca de 5.500 alunos entraram no ensino fundamental, porém não soube dizer quantos desses foram matriculados para o período integral e ficaram desassistidos. No ano passado, divulgou, seis escolas -- Professor Amin Cassar, Maria de Lourdes Ayres de Moraes, Maria de Lourdes Martins Martinez, Norma Justa Dall"Ara, Hélio Rosa Baldy e o Walter Carretero -- tinham ensino em período integral para alunos do 1º ano. As outras unidades beneficiavam estudantes dos outros anos.

Indignação

Maria do Carmo contou que foi até a coletiva de imprensa para tentar obter uma justificativa para a suspensão do ensino integral. Segundo ela, no ano passado, quando o filho entrou no ensino fundamental, foi informado que a partir do 2º ano haveria opção de período integral, mas isso foi suspenso. José Ailton Calixto, 39, e Fabiana Aparecida Rodrigues, 35, também estiveram no salão de vidro para cobrar explicações. Os dois têm filhos na 1ª série do fundamental na escola Hélio Rosa Baldy, no bairro São Guilherme e matricularam as crianças para o período integral. "Eu trabalho, me programei com os horários da minha filha e agora eles avisam assim, de última hora. É um desrespeito e causa muita indignação", disse Fabiana, que trabalha como operadora de caixa. Fabiana estava ontem na posse de um abaixo-assinado com mais de 200 assinaturas de pais de crianças que frequentam a escola Hélio Rosa Baldy e foram prejudicadas com a medida.


Comissionados custarão mais que auxiliares

Conforme informado pelo secretário de Recursos Humanos de Sorocaba, Rodrigo Moreno, para que todas as 89 creches da cidade funcionem em período integral, é necessário que 150 auxiliares de educação sejam contratados. De manhã, ele disse que essa medida deveria custar R$ 4 milhões ao município. Já à tarde, em nota oficial da Prefeitura, o valor aumentou para R$ 4,4 milhões. Moreno disse que por conta de dificuldades financeiras ainda não ocorreu o chamamento. Esse valor é menor do que o custo dos 56 novos cargos comissionados que o prefeito José Crespo (DEM) pretende criar com o projeto de lei 37/2016. A estimativa de impacto financeiro dessa medida é R$ 4,7 milhões somente para 2017.

Antes do início da coletiva de imprensa realizada na manhã de ontem no salão de vidro no Paço, Eloy de Oliveira, secretário de Comunicação e Eventos, informou que Moreno não responderia a perguntas sobre outros temas que não auxiliares de educação. Por essa razão, o secretário não pôde ser questionado sobre a comparação entre as duas despesas. Segundo o projeto que deve ser votado na Câmara, além dos 40 cargos de assessor nível 2 que, caso a lei seja aprovada, terão livre indicação do prefeito, apenas com necessidade de ensino médio, são criadas outras 16 vagas destinadas a servidores de carreira. (Colaborou César Santana)

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