Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
Ele consegue demonstrar para os estudantes a dimensão de onde moram por
meio de exemplos envolvendo praias, pirata, tesouro e mistérios: é a
forma que encontrou de ensinar geografia. Também fala sobre o "Chora
menino" e a "Noiva fantasma" quando quer ensinar história regional.
Percorre lugares com pirâmides, convida os alunos a irem até desertos
longínquos e ainda serem agraciados com belezas como o Grand Canyon
(EUA), quando precisa falar sobre história geral. É usando a contação de
histórias como recurso didático que o professor Rodrigo Ayres de
Araújo, que dá aulas no ensino fundamental 2 e médio da rede pública de
Piedade, tem alcançado bons resultados em sala de aula.
A
dificuldade dos alunos de entenderem questões mais complexas envolvendo
os conteúdos curriculares, entre eles matemática, ciências e física tem
feito com que diversos professores recorram à contação de histórias como
recurso didático para explicar os conteúdos escolares de uma forma mais
lúdica e assim ajudar os estudantes no aprendizado.
E não são
só os professores que dão aula presencial que estão sendo favorecidos
pelo método, ele tem sido aplicado inclusive no Ensino a Distância
(EaD).
Conforme Kenia Teixeira, diretora da empresa Produtiva,
desenvolvedora de plataformas EaD e outras tecnologias, a contação de
histórias, também conhecida como storytelling, tem um papel bem
importante na educação: desenvolver a capacidade de interpretação e a
imaginação dos alunos. A contação, diz ela, forma significados que ficam
gravados na memória de quem ouve, implicando o aprendizado duradouro. O
método ajuda a demonstrar teorias, reproduz experiências e
acontecimentos históricos.
Essa prática já tem sido aplicada
para plataformas EaD por meio de imagens, áudios, vídeos, infográficos e
textos. Isso mostra que independente de ser presencial ou não, o método
da contação já se consolidou na prática dos professores.
Barão de Pirapora
O professor Rodrigo Ayres de Araújo, citado no início desta reportagem,
é conhecido por todos como o Barão do Pirapora, por ter feito o
mapeamento do rio Pirapora. "Esse rio nasce em Piedade e desemboca em
Salto de Pirapora. Foi por meio do mapeamento que descobri muitos causos
ligados à história da cidade, como a lenda do "Chora menino"", conta.
Assim, Rodrigo foi incorporando essas histórias em suas aulas.
A
lenda do "Chora menino", por exemplo, é muito antiga, da década de
1950, e ligada ao bairro Jurupará. "Várias pessoas idosas contavam que
já tinham ouvido ele chorar. É um causo da zona rural mesmo".
Já a história do pirata Thomas Cavendish, que passou por Ilhabela, foi
usada durante as aulas de geografia, quando Rodrigo lecionava naquela
cidade. "Fui fazendo contação de história para os estudantes, que eram
moradores de lá, compreenderem a própria ilha."
Rodrigo
costumava contar a história da ilha por meio de lendas folclóricas
locais para conhecerem praias e pela rota do pirata terem a dimensão
espacial de onde viviam. "Eu também completava com desenho e isso
ajudava muito os alunos a entenderem o conceito de geografia mesmo",
lembra.
Rodrigo comenta que passou a usar o recurso porque viu
que aguça a criatividade dos alunos e ajuda a trabalhar a identidade
cultural deles. "E também porque eu tinha muito problema para explicar
para eles, principalmente os alunos mais novos, dos 6º e 7º anos. Eles
geralmente têm dificuldade para prestar atenção na gente, então eu
precisava de alguma coisa além".
Durante suas aulas, Rodrigo costuma fazer roda e os alunos sentam no chão.
Especialista na área de tecnologia, em desenvolver games para a
educação, se Rodrigo observa que precisa de mais recursos, aí logo ele
cria um game sobre o tema e de repente suas aulas de história e
geografia ainda viram jogo. "Alio tradição dos contos orais e também
tecnologia", diz ele, para quem tudo é válido quando o assunto é
ensinar. (Com informações da agência Dino)
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